Donald Trump ameaçou interromper o comércio dos Estados Unidos com países que mantêm superávit nas relações com o país caso o Federal Reserve não reduza os juros. A declaração foi feita nesta sexta-feira (4), após a divulgação de dados de emprego e em meio à pressão do presidente sobre o banco central americano.
“Baixem os juros ou vou parar de negociar com os países com os quais temos déficit”, escreveu Trump na rede social Truth Social. Ele disse que a suspensão do comércio seria preferível à adoção de tarifas e voltou a defender que os Estados Unidos tenham uma das menores taxas de juros do mundo.
As empresas americanas criaram 162 mil vagas em agosto, mais que o dobro das cerca de 65 mil esperadas por economistas. A taxa de desemprego ficou em 4%. Julho, que inicialmente havia apontado perda de postos, passou a registrar criação de 21 000 vagas após revisão dos dados.
O desempenho do mercado de trabalho reduziu a urgência de estímulos monetários. Ao mesmo tempo, a inflação continua acima da meta de 2%, o que reforça a possibilidade de o Federal Reserve manter uma política mais restritiva. O mercado passou a considerar até uma alta dos juros, em vez de um corte.
Pressão sobre o Federal Reserve
A próxima reunião do Federal Reserve está marcada para os dias 15 e 16 de setembro. A decisão será tomada em 16 de setembro, depois da divulgação de novos dados de inflação.
O presidente do banco central, Kevin Warsh, afirmou em discurso em Jackson Hole, em 28 de agosto, que a inflação ainda não melhorou o suficiente. Segundo ele, o Fed terá “trabalho a fazer” se não estiver convencido de que os preços caminham para a meta de 2% no ritmo adequado.
A inflação medida pelo índice PCE estava em 3,3% em julho. Warsh também avaliou que as condições financeiras dos Estados Unidos não eram suficientemente restritivas para justificar uma mudança rápida na política monetária.
Déficit comercial e limites legais
Trump afirma que os juros elevados deixam os Estados Unidos em desvantagem diante de parceiros comerciais. O déficit americano de bens chegou a US$ 1,2 trilhão em 2025, enquanto o saldo negativo considerando bens e serviços foi de US$ 901 bilhões.
A China registrou o maior déficit americano de bens, com US$ 203 bilhões em 2025. O déficit com o México foi de US$ 197 bilhões e com o Vietnã, de US$ 178 bilhões. Em julho deste ano, o déficit de bens e serviços alcançou US$ 89 bilhões, alta de 24% em relação ao mês anterior. As importações subiram 2,8%, e as exportações caíram 2%.
Na mesma publicação, Trump declarou que uma decisão recente da Suprema Corte teria reconhecido sua autoridade para interromper o comércio com países deficitários. A decisão, porém, restringiu o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional para impor tarifas e afirmou que essa competência cabe ao Congresso.
A interrupção ampla das trocas comerciais também poderia afetar empresas e consumidores americanos, já que os países com superávit fornecem componentes, equipamentos e produtos. Restrições às importações tendem a elevar preços e poderiam aumentar a pressão sobre uma inflação que permanece acima da meta do Federal Reserve.








