BERLIM — A Alternativa para a Alemanha (AfD) aparece na liderança da eleição estadual em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha, com 38% dos votos, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (20). O resultado aumenta a pressão sobre a União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz.
A CDU registrou 5% no estado, pouco acima do limite necessário para conquistar cadeiras no Parlamento estadual. O Partido Social-Democrata (SPD), da governadora Manuela Schwesig, ficou logo atrás da AfD, com 36,5%.
Em Berlim, o partido de esquerda Die Linke lidera com 26%, à frente da CDU e dos Verdes. A AfD aparece em quarto lugar, com 13,5%. Na eleição estadual de 2023, a legenda havia obtido 9,1% dos votos na capital.
Pressão sobre Friedrich Merz
Houve vaias e manifestações de descontentamento durante o evento da CDU em Berlim após a divulgação das projeções. Merz chamou o desempenho em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental de “desastre” e defendeu reformas para enfrentar problemas econômicos e divisões na Alemanha. “A resposta não pode ser voltar aos bons e velhos tempos”, afirmou.
O resultado ocorre duas semanas depois de a AfD conquistar 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, seu melhor desempenho em uma eleição estadual até então. Antes das projeções deste domingo, o pior resultado da CDU havia sido registrado 75 anos atrás: em 1951, o partido alcançou 9% em Bremen.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, comemorou o desempenho e afirmou que a legenda se tornou “claramente o novo partido do povo na Alemanha”. Ela também disse que Merz ficou “fortemente enfraquecido”.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD fez campanha contra a imigração sem documentação, defendeu o encerramento da ajuda militar à Ucrânia e apoiou relações mais próximas com a Rússia. A eleição também foi um teste para Schwesig, que governa o estado desde 2017. A campanha do SPD abordou empregos, educação e coesão social.
O estado enfrenta falta de trabalhadores qualificados, relacionada ao envelhecimento da população e às baixas taxas de natalidade. Cerca de 50 mil pessoas de origem imigrante trabalham na região. Em Berlim, a dificuldade de acesso à moradia foi um dos principais temas da disputa.








