HEIDENAU — A câmara municipal de Heidenau, cidade próxima a Dresden, na Saxônia, aprovou na quinta-feira (24) a proibição de novas placas memoriais do Holocausto em calçadas e outros espaços públicos. A medida foi proposta pela AfD (Alternativa para a Alemanha) e pela CDU (União Democrata-Cristã).
Conhecidas como Stolpersteine, ou “pedras de tropeço”, as placas indicam a última residência ou o local de trabalho conhecido de judeus e outras vítimas da perseguição nazista. A justificativa apresentada pelos partidos é que os pedestres acabam caminhando sobre ou pisando nos nomes gravados.
As seções locais da AfD e da CDU propuseram que futuras homenagens sejam concentradas no memorial da cidade, localizado no cemitério da zona norte. A decisão provocou críticas de opositores, que afirmam que a presença das placas no cotidiano é parte de sua função memorial.
Os cubos de latão, com 10 cm, costumam ser instalados em frente a residências. Criado pelo artista alemão Gunter Demnig na década de 1990, o projeto reúne informações como o nome da vítima, a data da deportação e o local da morte. Até o momento, 116 mil placas foram instaladas em 31 países, principalmente na Alemanha.
Demnig rejeitou a decisão de Heidenau. Ele defendeu que os blocos permaneçam nos locais onde as pessoas viviam ou trabalhavam e afirmou que as placas ajudam a manter a história viva para os jovens. Sobre a CDU, disse que o partido “talvez devesse abandonar o seu 'C'. Pois eles claramente deixaram o cristianismo para trás”.
Felix Banaszak, copresidente do Partido Verde da Alemanha, chamou a medida de escândalo e classificou como “absurdo” o argumento de que as pessoas pisavam nos blocos. Para ele, as placas levam os nomes e os destinos das vítimas ao cotidiano e fazem as pessoas parar para refletir.
Charlotte Knobloch, presidente de uma associação judaica na Baviera e sobrevivente do Holocausto, considerou a decisão “o caminho completamente errado”. Ela disse que uma comemoração descentralizada, mantida nos espaços públicos, é fundamental para a cultura de memória da Alemanha.
Pressão sobre a CDU
O episódio também reacendeu críticas à colaboração entre a CDU e a AfD. Os partidos tradicionais mantêm uma postura informal conhecida como Brandmauer, ou “parede de contenção”, para evitar cooperação com a extrema-direita.
A AfD há muito contesta as formas de lembrança das atrocidades cometidas durante o regime de Adolf Hitler. Em nível federal, o partido foi classificado como uma organização extremista de extrema-direita pelo serviço de inteligência interna da Alemanha, embora a classificação esteja sob revisão.
O Comitê Internacional de Auschwitz classificou como escandaloso o apoio da CDU à moção. O vice-presidente executivo afirmou que a medida tenta retirar novamente as vítimas do nazismo de Heidenau e transferir sua memória para o cemitério.








