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Ajuste de Milei reduz inflação, mas amplia pressão social e política
Foto: Charly Triballeau/AFP
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Ajuste de Milei reduz inflação, mas amplia pressão social e política

Queda da inflação e melhora fiscal convivem com perda de renda, aumento da pobreza e rejeição de 64% ao presidente argentino.

O programa de austeridade de Javier Milei reduziu a inflação anual da Argentina de 161% para 33% e levou o país ao primeiro superávit fiscal em mais de uma década. As reservas cambiais chegaram a 50 bilhões de dólares, o dobro do início do mandato, enquanto o risco-país caiu de 1 900 para 600 pontos.

O ajuste, porém, veio acompanhado de perda de renda e aumento da pobreza. Os salários estão abaixo do nível de três anos atrás, e o poder de compra recuou 40%. A produção industrial caiu 3%, pior resultado desde a pandemia. O banco J.P. Morgan reduziu a previsão de crescimento no ano de 5% para 1,5% e passou a prever recessão no terceiro trimestre.

A pobreza voltou a subir para 32% depois de três semestres de queda. Em seis meses, 2 milhões de pessoas passaram a não conseguir cobrir gastos essenciais estimados em 330 dólares por mês. Mais de 30 000 empresas fecharam durante a gestão Milei, com a perda de 410 000 empregos formais.

A rejeição ao presidente chegou a 64%, maior nível de seu mandato. Nas pesquisas, Milei aparece empatado com Axel Kicillof, governador de Buenos Aires que deve representar o peronismo nas eleições de 2027. Escândalos de corrupção também levaram à renúncia do chefe de gabinete da Presidência.

Malvinas e agenda econômica

Milei retomou a reivindicação argentina sobre as ilhas Malvinas. Na terça-feira 29, anunciou um processo de arbitragem contra um projeto de perfuração de petróleo nas proximidades do arquipélago e deu ao governo do Reino Unido duas semanas para interromper a exploração. Também anunciou uma nova base naval em Ushuaia e ameaçou recorrer ao Tribunal Internacional do Direito do Mar.

Para a professora Denilde Holzhacker, da ESPM, a estratégia busca unir a população em torno de um inimigo externo. O presidente ainda tenta atrair investimentos com medidas como a reforma do Banco Central, que pretende impedir o financiamento do Tesouro por meio da emissão de dinheiro e exigir a aprovação de dois terços do Congresso para a demissão de integrantes da diretoria.

A resistência popular fez Milei recuar de um projeto que permitiria a venda de áreas da Patagônia e eliminaria regras que limitavam a propriedade estrangeira a 15% do território. O governo também enfrenta desconfiança de investidores diante da possibilidade de retorno do peronismo.

No cenário externo, Donald Trump entregou uma ajuda de 20 bilhões de dólares no ano passado e sinalizou apoio à Argentina na questão das Malvinas. O país comprou 24 caças F-16 dos Estados Unidos por 300 milhões de dólares. A próxima disputa eleitoral será em 2027.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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