Alex Saab se declarou culpado de conspiração para lavagem de dinheiro e de transações financeiras ilícitas perante um tribunal federal de Miami, na terça-feira (15/09). O empresário colombiano mudou a declaração anterior de “inocente” após fechar um acordo com a promotoria dos Estados Unidos.
Pelo acordo, Saab entregará US$ 195 milhões, cerca de R$ 1,03 bilhão, obtidos, segundo as acusações, em operações ilícitas ligadas a um esquema de corrupção. Ele também se comprometeu a fornecer informações relevantes às autoridades. Os detalhes do acordo não foram divulgados, mas Saab teria aceitado colaborar em investigações sobre altos funcionários venezuelanos.
A acusação inicial previa pena máxima de 20 anos de prisão por lavagem de dinheiro. A promotoria teria concordado em recomendar uma pena menor se a cooperação de Saab contra outros acusados for considerada útil.
Acusações ligadas ao programa de alimentos
Saab ganhou espaço durante o governo de Maduro ao participar de projetos de construção de moradias e, depois, ao comandar o programa CLAP, responsável pela importação e distribuição de alimentos na Venezuela. Sua atuação nesses negócios foi questionada por suspeitas de corrupção.
Em 2019, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Saab e o empresário colombiano Álvaro Enrique Pulido Vargas de lavar até US$ 350 milhões por meio do sistema de controle cambial venezuelano. O caso em Miami também menciona suspeitas de fraude eletrônica, subornos e desvio de recursos públicos.
Um documento do processo cita José Gregorio Vielma Mora, ex-governador do Estado de Táchira, ex-ministro do Comércio Exterior e deputado do Partido Socialista Unido da Venezuela. Segundo o documento, ele teria recebido aproximadamente US$ 17 milhões em subornos relacionados a contratos para a distribuição de 10 milhões de caixas de alimentos.
O processo menciona ainda outros quatro acusados não identificados e um “Funcionário do Governo 1A”, apontado como peça-chave na aprovação e proteção do esquema. Não há menção expressa a Nicolás Maduro ou Cilia Flores.
Saab foi detido em 2020, em Cabo Verde, e extraditado para os Estados Unidos. Ficou preso por dois anos e foi libertado em dezembro de 2023, em uma troca de prisioneiros que incluiu cerca de 20 pessoas. Depois, voltou à Venezuela, onde foi nomeado ministro da Indústria, mas acabou detido novamente em Caracas e extraditado outra vez para os EUA.
O governo de Maduro e Saab sempre rejeitaram as acusações. O governo venezuelano havia chamado a detenção de Saab de “sequestro” e tentado nomeá-lo embaixador para obter proteção diplomática.








