João Amoêdo avalia que Augusto Cury ainda pode crescer na corrida presidencial de 2026, mas afirma que não decidiu se apoiará algum candidato no primeiro turno. Para ele, a eleição está sendo marcada mais pela rejeição aos nomes apresentados do que pela escolha de propostas.
Fundador e ex-presidente do Novo, partido do qual saiu em 2022, Amoêdo diz que passou a ter curiosidade sobre as ideias de Cury e sobre as pessoas que estarão ao redor dele. O empresário considera que o candidato do Avante ganhou espaço por provocar menos rejeição entre os eleitores.
Amoêdo acredita em uma segunda onda de crescimento de Cury, impulsionada pelo aumento da exposição após alcançar dois dígitos nas pesquisas. Ainda assim, afirma que será necessário avaliar se o candidato terá consistência para manter os votos quando surgirem ataques e questionamentos.
O empresário considera mais provável um segundo turno entre Flávio e Lula, mas diz que o avanço de Cury reduz a possibilidade de uma vitória de Lula no primeiro turno. Na avaliação dele, Caiado e Zema não conseguiram transformar a avaliação de suas gestões em desempenho eleitoral, enquanto Renan ainda não teria histórico suficiente para disputar a Presidência.
Críticas ao Supremo
Amoêdo fez críticas ao Supremo Tribunal Federal por causa das revelações sobre a relação entre Alexandre de Moraes e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ele afirma que Moraes deveria ter se afastado após a divulgação do contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o banco.
Para o empresário, o silêncio de integrantes da Corte demonstra “corporativismo” e enfraquece a instituição. Ele também considera inadequado que Moraes tenha usado o cargo para pedir investigação contra André Mendonça, relator do caso que tornou público um relatório da PF com elementos envolvendo o ministro.
Amoêdo defende que o Supremo deveria afastar Moraes para que ele pudesse apresentar sua defesa. Na avaliação dele, o tribunal deveria preservar a instituição e não tratar ninguém acima das leis.
Ele afirma estar cético sobre a possibilidade de responsabilização dos envolvidos no caso Banco Master. Segundo Amoêdo, a quantidade de interesses e pessoas relacionadas ao episódio pode fazer com que o processo seja prolongado e que poucas medidas sejam tomadas.
O empresário também critica a perda de confiança no STF. Para ele, a atuação da Corte em defesa da democracia em 2022 foi necessária, mas casos recentes abriram espaço para críticas de grupos que antes questionavam o papel do tribunal.
Juros e falta de ambição
Amoêdo diz que o Brasil enfrenta dificuldades para gerar riqueza, investir em infraestrutura e acompanhar o crescimento de outros países. Ele relaciona o cenário aos juros elevados, à carga tributária e ao que considera baixa ambição no debate público.
Como exemplo, cita a SK, fabricante de chips da Coreia do Sul, que teria alcançado valor superior ao de todas as empresas brasileiras somadas na Bolsa. Também afirma que o país passou a usar El Salvador como referência em discussões políticas, em vez de olhar para modelos de educação e indústria de países como Alemanha e os da Escandinávia.
Na avaliação dele, o próximo governo precisará lidar com instituições enfraquecidas, lideranças pouco consistentes e baixa participação da população, especialmente das elites. Amoêdo afirma que esses três fatores dificultam uma mudança de rumo no curto e no médio prazo.
Flávio Bolsonaro
Amoêdo demonstra preocupação com a possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir a Presidência e conceder anistia ou indulto ao pai. Ele considera especialmente problemática a hipótese de Jair Bolsonaro voltar a exercer influência política direta e participar da escolha do ministério.
O empresário diferencia uma eventual medida por razões humanitárias da devolução de poder político ao ex-presidente. Também afirma que o próximo presidente terá poder relevante de indicação para o STF, com pelo menos três nomes.
Sobre Donald Trump, Amoêdo não acredita que o presidente dos Estados Unidos tente interferir de forma significativa na eleição brasileira. Para ele, Trump tem outras prioridades e deve limitar sua atuação ao discurso e a ações pontuais.









