A revista britânica The Economist afirmou que o Brasil corre o risco de dar as costas para o futuro caso a eleição presidencial seja marcada por uma nova disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Em editorial publicado nesta quinta-feira, 24, a publicação descreveu os dois caminhos como desoladores e comparou o país a um avião parado na pista.
A avaliação é que nenhum dos dois candidatos apresenta uma resposta convincente para a corrupção entranhada e a expansão dos gastos públicos. Para a revista, o futuro brasileiro pode ficar em suspenso por pelo menos mais quatro anos. A eleição geral está marcada para 4 de outubro.
O editorial retoma a imagem de Brasília, construída na década de 1950 com vias desenhadas no formato de um avião. A capital aparece como símbolo de um país preparado para decolar, mas a revista afirma que a economia brasileira estagnou, tanto na comparação com seus pares quanto diante do crescimento médio global.
Críticas aos candidatos
A Economist reconhece a posição favorável de Lula à proteção ambiental, mas afirma que o presidente fez pouco para estimular o crescimento econômico, controlar os gastos públicos e aprovar reformas relevantes. A publicação também menciona a idade do petista, que está prestes a completar 81 anos, e faz uma comparação com Joe Biden, que tinha a mesma idade quando desistiu de disputar a reeleição nos Estados Unidos, em 2024.
Flávio Bolsonaro é criticado por questionar a influência humana nas mudanças climáticas e a confiabilidade das urnas eletrônicas. A revista também afirma que o senador sugeriu que poderia não reconhecer uma eventual vitória de Lula. Entre as propostas atribuídas a Flávio está o perdão ao pai, Jair Bolsonaro, condenado em setembro de 2025 a 27 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado.
Apesar da avaliação negativa, a publicação diz que o futuro do país não está totalmente morto. O editorial cita como instituições ainda funcionais a Polícia Federal, em investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro, além da imprensa e da diplomacia brasileira.
Na quinta-feira 24, a revista também publicou uma reportagem opinativa com críticas a Flávio e Lula, chamados, respectivamente, de “filho de nepotismo vingativo” e “esquerdista caduco”.








