WASHINGTON — Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta (16/9) e quinta-feira (17/9) com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Os encontros fazem parte de uma articulação para que o governo de Donald Trump retome sanções contra Alexandre de Moraes e também aplique medidas aos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As reuniões ocorreram a 17 dias da eleição presidencial brasileira de 4 de outubro, em meio à crise no STF e às investigações relacionadas ao Banco Master. Eduardo Bolsonaro também discutiu com representantes do Departamento de Estado o julgamento que analisa se Moraes deve ser investigado por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O ministro André Mendonça pediu que o plenário do STF decida sobre a abertura da investigação. A sessão de terça-feira (15/9) terminou sem definição depois de um pedido de vista de Dino, após divergências e acusações entre ministros.
Declarações em Washington
Antes de uma reunião nesta quinta-feira (17/9), Eduardo Bolsonaro disse a jornalistas que pretendia “trazer a realidade” do que acontece no Brasil. Ele também afirmou que os Estados Unidos poderiam não reconhecer uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e sancionar ministros do STF caso considerassem a eleição um ato de golpismo. A Corte não havia emitido manifestação nesse sentido.
O ex-deputado ainda afirmou que se considera um “dissidente”, em referência a um documento do ano passado que pedia a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. Durante as negociações sobre tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, o governo brasileiro rejeitou os termos e afirmou que não havia dissidentes no país.
A movimentação ocorre enquanto os Estados Unidos monitoram a situação brasileira. Eduardo Bolsonaro e Figueiredo têm interlocutores em uma ala do governo Trump considerada mais ideológica e alinhada à direita, que disputa espaço com um grupo pragmático nas discussões sobre a relação com o Brasil.
Na terça-feira (15/9), o deputado republicano Chris Smith enviou uma carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos. Ele pediu o monitoramento da crise no STF, da relação entre Vorcaro e Moraes e da liberdade de expressão no país.
Além da crise no Supremo, Eduardo Bolsonaro discutiu o combate ao crime organizado. Em maio deste ano, os Estados Unidos anunciaram a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, apesar da oposição do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio ocorreu depois de uma visita de Flávio Bolsonaro a Washington.









