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Eleição de 1998 foi a única sem debates na TV desde a redemocratização
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Eleição de 1998 foi a única sem debates na TV desde a redemocratização

A ausência de Fernando Henrique Cardoso em 1998 levou emissoras a cancelar encontros; em 2026, a disputa chega ao primeiro turno com apenas um debate realizado.

A eleição presidencial de 1998 foi a única, desde a redemocratização, sem nenhum debate na televisão. Em 2026, o primeiro turno chega à reta final com apenas um encontro realizado: o debate da Band, em 23 de agosto, que não teve Luiz Inácio Lula da Silva nem Flávio Bolsonaro, líderes das pesquisas de intenção de voto.

Como a disputa de 1998 foi decidida no primeiro turno, também não houve debates na etapa seguinte. Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que havia sido eleito em 1994, liderava as pesquisas e decidiu não participar dos encontros.

A eleição de 1998

Aquele foi o primeiro pleito em que um presidente pôde disputar um segundo mandato consecutivo, depois da aprovação da emenda da reeleição pelo Congresso, em 1997. Com a recusa de Fernando Henrique, emissoras como a TV Globo cancelaram os debates que estavam previstos.

A legislação determinava que todos os concorrentes fossem convidados ou, sem acordo entre eles, que houvesse sorteio para definir a realização dos encontros em dias diferentes. A eleição teve 12 candidatos, e a expectativa da TV Globo passou a ser organizar um debate apenas se houvesse segundo turno.

Fernando Henrique foi reeleito em 4 de outubro de 1998, com 53,06% dos votos válidos, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula terminou em segundo, com 31,71%, e Ciro Gomes, então no PPS, ficou em terceiro, com 10,97%.

A justificativa apresentada pelo então presidente para não participar era a crise econômica, que concentrava suas atenções. Em agosto de 1998, a Rússia declarou moratória sobre parte da dívida, provocando instabilidade nos mercados e reduzindo o crédito para países emergentes. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) informou que o Brasil perdeu mais de US$ 30 bilhões em reservas.

Em novembro, o governo fechou um acordo de socorro de US$ 41,5 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em janeiro de 1999, no início do segundo mandato, o real foi desvalorizado e o Banco Central deixou a moeda flutuar.

Regras e outras ausências

A Lei das Eleições, de 1997, assegurava a participação nos debates aos candidatos de partidos com representação na Câmara dos Deputados e deixava a presença dos demais como facultativa. Em 2015, a exigência passou a ser de mais de nove deputados. Em 2017, a regra mudou novamente: hoje, as emissoras devem convidar candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional.

Fernando Collor não participou dos debates do primeiro turno de 1989 e só esteve nos encontros da segunda etapa, contra Lula. Em 2006, Lula faltou aos debates do primeiro turno, mas participou dos encontros do segundo turno contra Geraldo Alckmin. Em 2018, Jair Bolsonaro deixou de comparecer após ser esfaqueado em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro. Nos três casos, houve debates na televisão.

O cenário de 2026

Lula também não participou do debate da Band neste ano. Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram ao encontro. O debate da Record, previsto para 27 de setembro, foi cancelado depois que Lula e Flávio não confirmaram presença.

O debate da Globo, marcado para a noite de quinta-feira (1/10), também foi cancelado. Lula avisou na quarta-feira (30/9) que não iria, e Flávio desistiu na quinta-feira, mencionando uma suposta censura imposta ao evento pelo TSE. A emissora atribuiu o cancelamento à insegurança jurídica provocada por decisões judiciais tomadas horas antes.

No horário do programa, Lula participou de uma entrevista ao Flow Podcast e disse que os debates do primeiro turno “estão infrutíferos”. Flávio fez uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube para criticar as decisões relacionadas ao cancelamento.

Se houver segundo turno, marcado para 25 de outubro, as emissoras preveem debates entre os dois candidatos mais votados.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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