Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, com 44% das preferências cada um, conforme dados reunidos até terça-feira (15/9). A diferença é pequena em um cenário de disputa acirrada e coloca no centro da eleição grupos como independentes, evangélicos, mulheres, eleitores mais velhos e moradores do Sudeste.
No primeiro turno, Lula soma 39% e Flávio, 35%. Augusto Cury aparece com 6%, seguido por Renan Santos e Ronaldo Caiado, com 4% cada. Cury chegou a registrar 10% depois do debate realizado em 23 de agosto, mas perdeu força nas semanas seguintes.
Eleitores independentes
O grupo mais citado por especialistas é formado por eleitores que não se identificam plenamente com a direita ou com a esquerda. A Quaest chama esse segmento de independentes e estima que ele represente cerca de 32% do eleitorado. A Nexus o classifica como não polarizado e aponta 18%.
Na pesquisa Quaest de 2 de setembro, Augusto Cury tinha 24% entre os independentes, à frente de Lula, com 21%, e Flávio Bolsonaro, com 9%. Em 14 de setembro, Cury caiu para 15%, enquanto Lula chegou a 25% nesse grupo.
A avaliação dos especialistas é que esses eleitores não formam um bloco com perfil definido e podem decidir o voto apenas na parte final da campanha. Yuri Sanches, do AtlasIntel, estima que a parcela decisiva possa ficar entre 10% e 15% do eleitorado.
Evangélicos e mulheres
Os evangélicos demonstram maior alinhamento com Flávio Bolsonaro. Na Atlas/Bloomberg, ele tinha 49,9% nesse segmento, contra 30,6% de Lula. Na Nexus/BTG, eram 52% a 27%; na Quaest, 41% a 24%; e no Datafolha, 50% a 22%.
A diferença, porém, diminuiu em relação a maio. Na Quaest, Flávio tinha 61% entre os evangélicos, contra uma vantagem de 37 pontos percentuais sobre Lula. Em 14 de setembro, a distância estava em 17 pontos.
Entre as mulheres, Lula aparece à frente. Elas representam 52,8% do eleitorado, ou 83 milhões de pessoas. Na Atlas/Bloomberg, o placar era de 48% para Lula e 33% para Flávio. Na Nexus/BTG, de 47% a 33%; na Quaest, de 37% a 29%; e no Datafolha, de 41% a 30%.
Idosos e jovens
Os eleitores com mais de 60 anos correspondem a 23,2% do eleitorado e também se mostram mais próximos de Lula. Na Atlas/Bloomberg, o presidente tinha 56%, contra 37% de Flávio. Na Nexus/BTG, eram 51% a 33%; na Quaest, 44% a 31%; e no Datafolha, 42% a 34%.
A mobilização desse grupo é um dos desafios das campanhas. O voto não é obrigatório acima dos 70 anos, e os especialistas também apontam desânimo entre os eleitores em geral.
Os mais jovens são outro segmento disputado. Na Atlas/Bloomberg, Renan Santos passava de 6,5% no eleitorado geral para 22% entre pessoas de 16 a 24 anos. Na Nexus/BTG, subia de 2% para 6%.
O peso do Sudeste
O Sudeste é a região mais dividida e reúne 63,3 milhões de eleitores, quase 42% do total. As pesquisas recentes apresentam resultados diferentes: Flávio lidera na Quaest, por 35% a 30%, e no Datafolha, por 37% a 35%. Lula aparece à frente na Atlas/Bloomberg, com 45% contra 33%, e na Nexus/BTG, com 42% a 33%.
Em 2022, o PT ampliou sua votação no Sudeste em 7,7 milhões de votos em relação a 2018. O crescimento foi superior à margem de 2,1 milhões de votos que deu a vitória a Lula.
Minas Gerais também é acompanhado de perto pelos analistas. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram a eleição presidencial também ganharam no estado. O perfil mineiro é heterogêneo, com diferenças entre o norte, o oeste e o sudeste do território.









