São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00% São Paulo 23°C 18° / 28°
A notícia como ela é
IA repete dilemas da globalização, aponta análise do CFR
Mundo

IA repete dilemas da globalização, aponta análise do CFR

Michael Froman vê paralelos nos efeitos sobre empregos, distribuição de ganhos, autonomia e reação política à inteligência artificial.

A inteligência artificial reproduz dilemas que marcaram a globalização, como o medo de perda de empregos, a concentração de ganhos econômicos e a sensação de perda de autonomia. A avaliação é de Michael Froman, presidente do Council on Foreign Relations (CFR).

O debate sobre os riscos e as oportunidades da tecnologia deixou de se limitar ao Vale do Silício e passou a envolver políticos, empresas e autoridades em Washington e em Pequim. Para Froman, a IA pode influenciar praticamente todos os aspectos da vida humana em escala global, como ocorreu com a expansão da internet.

Nos Estados Unidos, as preocupações incluem o consumo de água e energia dos data centers, os efeitos sobre o mercado de trabalho e a possibilidade de sistemas cada vez mais autônomos. Também cresceram os alertas sobre riscos existenciais e episódios envolvendo agentes de IA capazes de realizar ataques ou burlar sistemas digitais.

Ao mesmo tempo, o CFR destaca possíveis benefícios em áreas como pesquisa médica e educação personalizada. A tecnologia é descrita como uma faca de dois gumes: pode ampliar a produtividade e ajudar a enfrentar problemas da humanidade, mas a percepção pública ainda é dominada pelos riscos e pela velocidade da transformação.

Empregos e distribuição de ganhos

A primeira comparação com a globalização envolve o emprego. A abertura das cadeias produtivas alimentou o receio de transferência de postos de trabalho para outros países. Agora, a IA levanta a possibilidade de substituir atividades humanas, enquanto seus defensores prometem uma economia mais eficiente e abundante.

Froman argumenta que uma prosperidade baseada na redução generalizada da necessidade de trabalho pode não corresponder ao significado que as pessoas atribuem às suas ocupações. Uma sociedade em que máquinas realizassem grande parte das tarefas e as pessoas vivessem de renda básica poderia aumentar a insegurança e a falta de propósito.

O presidente do CFR também aponta o risco de concentração. Assim como a globalização reduziu preços, mas distribuiu seus benefícios de forma desigual, a IA já direciona trilhões de dólares ao setor e valoriza um pequeno grupo de empresas e indivíduos antes que os ganhos de produtividade sejam percebidos em larga escala.

Autonomia e resposta política

Outro paralelo está na dificuldade de compreender quem toma decisões. Na globalização, cadeias de produção complexas afastaram decisões sobre fornecedores e produção das comunidades afetadas. Na IA, os mecanismos internos dos modelos são difíceis de entender até para seus desenvolvedores.

Essa opacidade pode fazer com que decisões sobre a economia e a vida cotidiana dependam de sistemas pouco conhecidos pelo público. A pressão para avançar, porém, permanece elevada por causa dos ganhos potenciais, do desenvolvimento de sistemas capazes de melhorar a si mesmos e da competição entre os Estados Unidos e a China.

Froman também vê semelhanças na reação política. A oposição à expansão da IA não segue exatamente as divisões tradicionais entre partidos. O autor cita o encontro entre o senador Bernie Sanders e o ex-estrategista de Trump, Steve Bannon, para discutir uma desaceleração do avanço tecnológico.

Para evitar uma reação semelhante à da globalização, Froman defende medidas de adaptação dos trabalhadores com participação do governo, das empresas e das instituições de ensino. Ele também cobra mecanismos concretos para ajudar a população durante a transformação do mercado de trabalho.

O governo federal, segundo a análise, ainda precisa definir uma estratégia coerente: permitir o avanço da tecnologia com pouca interferência, exigir avaliações para novos modelos ou participar economicamente de determinadas empresas.

Froman defende ainda padrões internacionais para a inteligência artificial, com participação ativa dos Estados Unidos. A disputa com a China dificulta uma interrupção do desenvolvimento, mas torna necessária a cooperação em segurança e governança. O acordo anterior entre Washington e Pequim para manter humanos envolvidos nas decisões sobre armas nucleares é citado como exemplo de que o diálogo é possível.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5