A ausência de segundo turno para governador em parte dos estados deve ter impacto limitado sobre a participação na eleição presidencial de 2026, segundo estudo do BTG Pactual com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No cenário central da simulação, a abstenção presidencial nacional aumentaria 0,19 ponto percentual.
A análise considerou seis eleições presidenciais com segundo turno desde 2002. O objetivo foi verificar se a existência de uma disputa estadual adicional altera o comparecimento no segundo turno para presidente.
Entre 2002 e 2022, estados que não tiveram segundo turno para governador registraram aumento médio de 1,1 ponto percentual na abstenção presidencial entre as duas etapas da eleição, na comparação com estados onde houve disputa estadual. Quando o cálculo leva em conta o tamanho do eleitorado de cada unidade da federação, a diferença cai para 0,3 ponto percentual.
Efeito maior em cidades pequenas
A variação é mais expressiva nos municípios com menor número de eleitores. Nas cidades com até 10 mil eleitores, a falta de segundo turno para governador esteve associada a uma alta de 1,31 ponto percentual na abstenção presidencial entre 2002 e 2022. O efeito foi de 0,64 ponto percentual nos municípios entre 10 mil e 50 mil eleitores.
Entre 50 mil e 200 mil eleitores, o impacto estimado ficou em 0,10 ponto percentual. Nos municípios com mais de 200 mil eleitores, foi de 0,04 ponto percentual, considerado próximo de zero pelo estudo.
O BTG Pactual afirma que os dados são compatíveis com uma mobilização eleitoral mais dependente de estruturas locais, como campanhas presenciais e redes de contato direto. O estudo também indica que a relação perdeu força com o passar do tempo.
De 2002 a 2010, a ausência de segundo turno para governador esteve ligada a um aumento de 2,08 pontos percentuais na abstenção presidencial no painel de estados. Considerando o peso do eleitorado, o efeito foi de 1,32 ponto percentual.
Entre 2014 e 2022, a associação ficou em 0,42 ponto percentual no painel de estados e registrou -0,19 ponto percentual no cálculo ponderado pelo eleitorado. O relatório ressalta que a divisão da amostra reduziu o número de eleições avaliadas em cada período, mas considera significativa a diferença entre as fases.
Projeção para 2026
Para 2026, o estudo trabalha com a possibilidade de 13 estados definirem a eleição para governador no primeiro turno: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Santa Catarina, Maranhão, Piauí, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Amapá e Roraima.
Outros sete estados são classificados como incertos, enquanto sete tendem a ter segundo turno, entre eles Minas Gerais. A projeção foi baseada em pesquisas estaduais e pode mudar. Em um cenário no qual nenhum estado tivesse segundo turno para governador, o aumento estimado da abstenção presidencial nacional seria de 0,35 ponto percentual.
Os analistas concluem que existe um canal de mobilização estadual, mas que os efeitos atuais sobre a participação presidencial são pequenos.









