JD Vance intensificou os movimentos para construir uma candidatura à Presidência dos Estados Unidos em 2028. O vice-presidente tem ampliado a exposição pública com o lançamento de um livro e entrevistas selecionadas, nas quais passou a adotar um discurso religioso mais explícito.
Aos 42 anos, Vance tenta se apresentar como uma opção capaz de dialogar tanto com o eleitorado conservador quanto com a base MAGA, ligada à defesa da ideia de uma América Grande de Novo. Convertido ao catolicismo em 2019, ele trata a religião como parte central de sua atuação pública.
Donald Trump, que não pode disputar uma nova reeleição, evita declarar apoio formal ao sucessor. Ainda assim, teria afirmado: “Temos que eleger Vance em 2028”.
Discurso religioso e exposição pública
Em uma entrevista ao youtuber conservador Bryce Crawford, Vance afirmou estar “fazendo o máximo possível da obra de Deus” e disse que “o fim dos tempos está chegando”. Também relatou ter sentido uma “escuridão espiritual” em encontros com líderes globais e declarou: “Não duvido que o anticristo esteja caminhando entre nós”.
A escolha das entrevistas faz parte da estratégia de controlar o ambiente e o tom das aparições. O vice não abordou, nessa conversa, os principais conflitos que pressionam a Casa Branca.
Vance também entrou em um debate teológico com o papa Leão XIV sobre o conceito de guerra justa. O embate ocorreu enquanto o pontífice criticava a moralidade do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Depois de receber críticas entre eleitores que busca conquistar, Vance agradeceu publicamente a atuação do Vaticano para apaziguar a disputa.
Disputa pelo futuro político
A trajetória de Vance na política é recente. Ele chegou ao Senado por Ohio em 2022, depois de servir às Forças Armadas durante a invasão do Iraque e de construir carreira no Vale do Silício. Formado em direito pela Universidade Yale, é casado com uma filha de imigrantes indianos e tem quatro filhos pequenos, um deles recém-nascido.
No livro Comunhão, Vance narra a passagem do protestantismo ao ateísmo e, depois, ao catolicismo. O analista político Mike Catalini avalia que a obra foi pensada também em função das próximas eleições e da defesa de valores tradicionais.
O secretário de Estado Marco Rubio é outro nome apontado como interessado na Presidência. Vance nega que exista uma “rivalidade” entre os dois, mas eles representam visões diferentes: enquanto o vice defende uma orientação mais voltada para dentro e era contrário à guerra no Irã, Rubio apoia uma política intervencionista com impacto na América Latina. Para Dan Fried, ex-subsecretário de Estado e pesquisador do Atlantic Council, essa questão é secundária para Vance.
Antes da disputa presidencial, as eleições de meio de mandato, em novembro, devem definir a correlação de forças no Congresso e o espaço de ação de Trump. Pesquisas sobre 2028 mostram Vance com 44% da preferência entre republicanos, contra 21% de Rubio.








