Os primeiros-ministros da Escócia, da Irlanda do Norte e do País de Gales assinaram um acordo para defender o direito de seus povos decidirem o próprio futuro e pressionar o governo do Reino Unido por mudanças constitucionais. O documento afirma que nenhum governo pode bloquear a democracia.
A articulação reúne o SNP, da Escócia, o Sinn Féin, da Irlanda do Norte, e o Plaid Cymru, do País de Gales. Os três partidos defendem a saída de seus países do Reino Unido. O Parlamento britânico tem sede no Palácio de Westminster, em Londres.
O primeiro-ministro escocês, John Swinney, e a primeira-ministra norte-irlandesa, Michelle O’Neill, defenderam a realização de referendos. Rhun ap Iorwerth, primeiro-ministro galês, não apresentou um calendário para uma consulta no País de Gales. O Plaid Cymru já descartou um referendo antes das próximas eleições para o Senedd, previstas para 2030.
O memorando diz que “nenhum governo de Westminster tem o direito de bloquear a democracia” e que cada nação definirá seu futuro à própria maneira e no seu próprio tempo. Swinney classificou a reunião como um “momento crucial na jornada constitucional do Reino Unido”.
Posições no País de Gales
Ap Iorwerth afirmou que as eleições de maio, vencidas pelo Plaid Cymru, representaram um ponto de virada para o País de Gales. O governo galês quer criar uma comissão nacional para preparar planos futuros de independência e busca receber novos poderes, inclusive nas áreas de policiamento e jovens infratores.
O governo galês não tem competência para convocar um referendo sobre a independência. Ap Iorwerth disse que gostaria que essa atribuição fosse transferida ao país, mas afirmou que o cronograma deve ser definido pelos próprios galeses.
O Partido Trabalhista e o Partido Reformista acusaram o Plaid Cymru de querer desmembrar o Reino Unido. O governo britânico declarou que o primeiro-ministro acredita firmemente na união.
Referendos e reações
O último referendo sobre a independência da Escócia ocorreu em 2014 e terminou com a permanência do país no Reino Unido por 55% a 45%. Andy Burnham chegou a indicar que uma nova votação poderia ocorrer caso houvesse apoio público claro, mas depois afirmou que outro referendo continuava fora de questão.
Na Irlanda do Norte, O’Neill disse que Westminster não atende bem às nações. Emma Little-Pengelly, vice-primeira-ministra e integrante do Partido Unionista Democrático, criticou a participação de O’Neill nas conversas.
Os líderes das regiões descentralizadas devem se reunir com o primeiro-ministro no mês que vem. O acordo entre País de Gales e Escócia também prevê colaboração em energia, economia e relações com a Europa.









