BRASÍLIA — Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o desembargador federal Newton Ramos pediu ajuda para viajar de Brasília a Buenos Aires, no fim de novembro de 2024. As conversas citam a disponibilização de aeronaves privadas, bebidas e o pagamento das despesas pelo Banco.
Os registros não mostram se Ramos embarcou. Em 13 de novembro de 2024, ele enviou a Vorcaro as datas e os trechos previstos: “29/11 pela manhã - Bsb/Buenos Aires” e “01/12 pela tarde - Buenos Aires/Bsb”. Depois, o desembargador pediu confirmação e perguntou quantos assentos teria a aeronave. Vorcaro respondeu: “9”.
Em 2 de dezembro, Ramos agradeceu pelo “apoio no fim de semana” e disse que trataria de outro assunto com o banqueiro. Mensagens também mostram funcionários de Vorcaro organizando o transporte. Uma funcionária afirmou que não tinha avião disponível, mas o banqueiro respondeu: “Eu preciso arrumar avião pro Newton”.
Na véspera da viagem, a funcionária informou que colocaria cerveja e Moët Chandon no voo. Vorcaro pediu ainda whisky e Don Pérignon. Dias depois, ao ser questionado sobre o centro de custo, respondeu que o pagamento seria feito pelo Banco. Uma das aeronaves mencionadas era o avião PS-FSW, um Falcon 2000 ligado a uma empresa que tem entre os sócios Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Relações com o Banco Master
As mensagens surgem após a revelação de um contrato de até R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Camilla Ramos, mulher de Newton Ramos. O acordo previa honorários de 5% sobre valores recebidos em disputas relacionadas a pré-precatórios do setor sucroalcooleiro, adquiridos pelo banco por R$ 8,5 bilhões.
Na semana passada, Newton Ramos foi alvo de uma operação do Conselho Nacional de Justiça, com auxílio da PF. Conversas também associam o desembargador à expressão “Turma do KN”. Investigadores suspeitam que a sigla seja referência ao ministro Kássio Nunes Marques, de quem Ramos foi juiz-auxiliar durante a passagem de Marques pelo TRF-1.
Kássio Nunes Marques afirmou que nunca votou a favor de Vorcaro, nunca trocou mensagens com ele e não participou das viagens mencionadas. O ministro reconheceu ser amigo de Newton e Camilla Ramos e disse que se declara suspeito em ações do escritório dela.
Camilla Ramos confirmou o voo, mas afirmou que ele foi de sua responsabilidade e teve caráter particular, sem vínculo comercial. A advogada também negou relação entre seus serviços ao Banco Master e a atuação de magistrados. Newton Ramos e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram.









