O acesso ao conteúdo completo extraído do celular de Daniel Vorcaro provocou novos pedidos e críticas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A disputa ocorre após decisões sobre a retirada do sigilo de documentos ligados ao caso Master, na quinta e na sexta-feira (10 e 11/09).
Na quinta-feira (10), o presidente do STF, Edson Fachin, determinou o fim do sigilo de registros relacionados ao banco. O relator do caso, André Mendonça, liberou parte dos documentos. Em despacho neste sábado (12/09), Fachin deu 24 horas para a Polícia Federal prestar informações sobre a custódia do material extraído do aparelho e seu estado de conservação.
Alexandre de Moraes acusou Mendonça de fazer uma “escolha seletiva” na retirada do sigilo e pediu a liberação imediata de todos os documentos relacionados ao caso. Moraes e Cristiano Zanin também solicitaram acesso ao conteúdo completo do aparelho, um iPhone 17 Pro apreendido pela PF.
Mendonça informou que o celular está guardado nos depósitos da PF para preservar a cadeia de custódia. Segundo ele, há apenas uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, que permanece lacrada. Zanin contestou a justificativa e afirmou que o lacre não impede o compartilhamento dos dados com os demais ministros.
Gilmar Mendes reforçou o pedido neste sábado (12/09). Ele solicitou que, caso Mendonça não disponibilize o material, a presidência do STF requisite “com urgência” à PF o envio das mídias aos gabinetes dos ministros.
Disputa entre ministros
O impasse ocorre antes da sessão marcada para terça-feira (15/09), que discutirá a crise na Corte. A tensão aumentou depois que Mendonça, em 1º de setembro, retirou o sigilo de um relatório da PF com indícios de que Vorcaro teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes.
Dois dias depois, Moraes liberou relatórios da inteligência da PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça e pediu a inclusão do colega no Inquérito das Fake News. Na quarta-feira (09/09), Fachin retirou de Moraes a relatoria do inquérito e marcou a sessão plenária para 15 de setembro.
Conteúdo do aparelho
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e é investigado por suspeitas de fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões. A PF encontrou no celular mensagens e documentos relacionados às apurações sobre o Banco Master, além de conversas sobre autoridades políticas e do Judiciário.
Entre os materiais estão registros ligados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Documentos liberados por Mendonça apontam para a relação de Vorcaro com o senador Flávio Bolsonaro (PL), descrito pela PF como interlocutor nas tratativas sobre recursos para a produção.
O aparelho também tinha mensagens enviadas a um contato salvo como Alexandre de Moraes e conversas com funcionários do Master e pessoas ligadas à família do ministro. Relatório da PF sobre diálogos com o senador Jaques Wagner (PT-BA) apontou “robustos indícios” de crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de ativos.









