O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça enviou à Presidência da Corte explicações sobre a ordem para que a Polícia Federal identificasse pessoas mencionadas em mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro. A medida faz parte da investigação do Caso Master.
Vorcaro, ex-controlador do banco, foi preso em novembro de 2025 e é investigado por suspeitas de fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões. A manifestação de Mendonça foi apresentada um dia antes da sessão em que o STF discutirá a petição 16.662.
A petição foi aberta depois que o ministro tornou públicas, em 1º de setembro, mensagens que associam Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça afirmou que a intimação presencial dos delegados foi adotada por cautela, "sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja".
Segundo as informações do relatório policial mencionadas pelo ministro, o diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco, teriam sido citados em uma nota enviada por Vorcaro a um interlocutor ainda não identificado. Mendonça também reiterou a necessidade de separar as atividades de inteligência e de polícia judiciária, preservar o sigilo e observar o princípio da funcionalidade.
Contestação de Paulo Gonet e Alexandre de Moraes
Paulo Gonet pediu que Mendonça declarasse nula a decisão que levou à produção do relatório. Para o procurador-geral, a apuração ultrapassou os limites da atuação de um magistrado na fase pré-processual. Gonet também defendeu que o próprio STF decida sobre uma eventual investigação envolvendo um de seus ministros.
Alexandre de Moraes apresentou manifestação na mesma data e acusou Mendonça de "vingança" e de uso político-eleitoral do inquérito. Em ofício de 44 páginas, dividido em 121 pontos e enviado em 14/09 a Edson Fachin, Moraes afirmou não ter cometido irregularidades e negou interferência para beneficiar Vorcaro antes da prisão.
Moraes disse ainda que a prisão ocorreu durante o embarque na alfândega do maior aeroporto do país, com o banqueiro usando passaporte verdadeiro e portando o próprio celular. Ele afirmou que as revelações sobre o caso representam uma tentativa de vingança político-eleitoral.
Mensagens sobre contrato
As mensagens analisadas mostram que Vorcaro cobrava atenção aos pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.
Em 8 de fevereiro de 2024, Vorcaro pediu ao cunhado, Fabiano Zettel, o contrato assinado e questionou a data do primeiro pagamento. No mesmo dia, Ângelo Silva, tesoureiro do Master e investigado pela PF, enviou o comprovante de uma transferência de R$ 3.422.268,14 para a conta do escritório no Banco Itaú.
As investigações também apontaram, com base nos metadados do contrato, que o documento foi editado por Moraes.
Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes sobre possíveis impedimentos legais antes da contratação. A banca disse que não havia previsão de atuação no STF nem impedimento legal e que os serviços advocatícios foram prestados. Também afirmou que o ministro jamais julgou causa envolvendo o Banco Master.









