Um relatório da Polícia Federal reúne mensagens supostamente trocadas entre Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, e um contato identificado como Alexandre de Moraes. O material levantou dúvidas sobre a proximidade entre os dois e sobre possíveis contatos do ministro com autoridades responsáveis pelas investigações sobre suspeitas de fraude envolvendo a instituição financeira.
De acordo com o relatório, Vorcaro teria pedido a Moraes que conversasse com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a respeito das apurações. O documento também indica que Moraes teria editado uma minuta de contrato entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o banco Master.
A informação sobre a edição foi identificada pelos investigadores nos metadados do arquivo, a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que consultou Moraes sobre a possível existência de impedimentos legais para a contratação, considerando a relação entre ele e Viviane e a abrangência dos serviços jurídicos solicitados pelo banco.
Disputa sobre o relatório
O material foi produzido pela Polícia Federal a pedido do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que é o relator do caso Master. Mendonça retirou o sigilo do relatório, permitindo que as informações se tornassem públicas.
Paulo Gonet reagiu e pediu a anulação do caso. Para o procurador-geral, Mendonça deveria ter consultado o plenário do Supremo antes de solicitar o relatório à Polícia Federal.
Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro sob acusação de fraude financeira. O relatório não define, por si só, se Moraes será investigado ou se poderá deixar o cargo de ministro. Esses estão entre os possíveis desdobramentos levantados após a divulgação das mensagens e das informações sobre o contrato.









