Uma missão de investigação das Nações Unidas concluiu haver motivos razoáveis para afirmar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra em dois ataques contra o Irã realizados em fevereiro. O relatório será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
A análise considera ações americanas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Um dos ataques atingiu a escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã. Segundo autoridades locais, 155 pessoas morreram, entre elas 120 crianças.
Para a missão, a escola era um alvo civil identificável. O documento não encontrou evidências de uso militar do prédio. As forças americanas teriam recebido informações de inteligência sobre a presença de um alto comandante militar iraniano no local, mas não verificaram adequadamente os dados antes da ofensiva.
“Em vez disso, os EUA direcionaram os ataques contra o prédio da escola sabendo que havia um risco substancial de atingir um objeto civil”, afirma o relatório.
A missão também atribuiu responsabilidade aos Estados Unidos por um ataque contra um centro esportivo em Lamerd. A ofensiva teria atingido construções residenciais e uma escola próximas, deixando 22 civis mortos ou feridos. Em março, o Comando Central dos Estados Unidos afirmou que forças americanas não haviam atacado a cidade naquele dia.
Repressão no Irã
O relatório responsabiliza ainda autoridades iranianas por crimes contra a humanidade durante a repressão a protestos antigovernamentais. As manifestações deixaram centenas de mortos desde dezembro do ano passado.
Entre as violações citadas estão assassinatos, tortura, prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados e restrições severas à liberdade de expressão. A missão atribui essas ações ao governo iraniano.
Em junho, o presidente Donald Trump declarou que “ninguém” havia atacado deliberadamente uma escola no Irã.








