O papa Leão XIV encerrou nesta segunda-feira, 28, uma visita de quatro dias à França com um apelo pela paz na Europa e críticas ao que chamou de “espiral de mentiras e engano” nas relações internacionais. A viagem reuniu 1,3 milhão de fiéis nas ruas, na primeira visita oficial de um pontífice ao país em quase vinte anos.
Em Metz, no leste da França, o papa pediu coragem para negociar e compromisso para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. A cidade foi escolhida por sua relação com Robert Schuman (1886-1963), um dos chamados pais fundadores da União Europeia. O Vaticano pretende beatificá-lo.
Leão XIV defendeu o direito internacional e o multilateralismo, além da integração dos imigrantes. Também alertou contra “a ilusão do rearmamento”, enquanto países europeus ampliam os gastos militares diante de uma Rússia descrita na fala como cada vez mais desafiadora.
“Hoje em dia, as relações humanas e entre os Estados tornam-se cada vez mais bárbaras”, afirmou o pontífice. Ele também disse que a Europa deve superar tensões internas e pode atuar como contrapeso às grandes potências.
Pressão política
O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu resistência ao retorno dos nacionalismos. Ele havia convidado outros líderes da União Europeia para o evento, mas apenas Luxemburgo compareceu.
O cenário político francês também esteve presente no encerramento da visita. A eleição presidencial está prevista para daqui a sete meses, e Marine Le Pen, líder da extrema direita, aparece à frente nas pesquisas. Em 2027, vários países importantes se preparam para eleições, com partidos de extrema direita em ascensão.
Em uma prece à Virgem de Lourdes, Leão XIV pediu à França governantes sábios e generosos e que o país permaneça em paz no concerto das nações.








