SÃO PAULO — A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (2/10), em São Paulo e nos arredores de Brasília, durante investigação sobre um suposto plano de atos contra instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil.
Em nota, a PF informou que não encontrou elementos que confirmassem risco às instalações norte-americanas nem identificou suspeitos ligados a organizações criminosas. Equipamentos de comunicação e mídias apreendidos ainda serão analisados.
"As medidas pertinentes foram prontamente adotadas", afirmou a corporação. A investigação pode incluir outras providências, conforme os resultados da análise do material recolhido.
A operação ocorreu no mesmo dia em que embaixadas e consulados dos Estados Unidos e da Austrália foram fechados em todo o Brasil. Funcionários foram orientados a não comparecer aos locais de trabalho, e cidadãos dos dois países receberam comunicados sobre a suspensão dos serviços.
A Embaixada dos EUA informou que os serviços consulares seriam suspensos por preocupações de segurança e orientou cidadãos norte-americanos que precisassem de atendimento emergencial a não procurar as instalações diplomáticas durante o período.
O Departamento de Estado dos EUA não detalhou quais ameaças teriam sido identificadas. Em nota, disse que a Administração Trump trabalha em conjunto com as autoridades brasileiras para tratar das questões de segurança. A Austrália informou em seu site que o fechamento ocorreu pelo mesmo motivo.
Reação do governo brasileiro
Representantes da Embaixada dos EUA comunicaram às autoridades brasileiras, entre quinta-feira e sexta-feira, o que foi identificado como riscos à embaixada. O caso foi encaminhado à Polícia Federal para investigação.
Um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo acompanha o episódio com preocupação e cautela. Segundo ele, o fechamento das representações diplomáticas chamou atenção por ocorrer a dois dias das eleições presidenciais e em meio a suspeitas de interferência política norte-americana na disputa.
O auxiliar afirmou que o governo não tratou o caso como uma possível sabotagem eleitoral e encaminhou imediatamente à PF as informações sobre os riscos. Na avaliação dele, apenas a investigação poderá indicar se as ameaças eram reais.
A desconfiança do governo brasileiro em relação aos Estados Unidos também está relacionada, segundo o auxiliar, à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a sanções contra ministros de Estado e do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes.
O governo ainda vinha monitorando possíveis ações norte-americanas contra instituições brasileiras. O episódio levou a Advocacia-Geral da União a acionar a PF e a Procuradoria-Geral da República para apurar o caso.
Na avaliação do auxiliar, a administração Trump teria preferência pela vitória de Flávio Bolsonaro. Ele também citou o repasse de US$ 1 milhão a grupos contrários ao ativismo judicial e à censura supostamente praticados pelo STF.
Donald Trump afirmou que acompanha "muito de perto" as eleições no Brasil e disse que o país e a disputa presidencial são muito importantes.









