Dúvidas sobre a abertura da cabine de comando devem fazer parte da investigação sobre o incidente em um voo da Flydubai na quarta-feira (30). Um dos pilotos teria atacado o colega enquanto o avião perdia altitude. Passageiros conseguiram conter o suposto agressor, e a aeronave foi estabilizada.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que o capitão Smit Machchhar, que ficou ferido, abriu a porta por dentro durante o ataque. A ação teria permitido a entrada de passageiros israelenses e integrantes da tripulação dos Emirados Árabes Unidos.
“Apesar de estar gravemente ferido, ele conseguiu destrancar a porta da cabine de comando”, escreveu o ministério em uma publicação no X.
Segurança da cabine
Josh McConkey, coronel da reserva da Força Aérea dos EUA e médico de emergência, disse que a aviação mudou procedimentos e medidas de proteção depois dos ataques de 11 de setembro. Entre as alterações está o reforço das portas da cabine para dificultar tentativas de sequestro.
Segundo McConkey, o caso chama atenção porque o piloto teria conseguido chegar à porta mesmo após ser esfaqueado e com forte sangramento, enquanto outra pessoa entrou na cabine durante a descida da aeronave.
Depois de 11 de setembro, companhias aéreas americanas passaram a ser obrigadas a reforçar todas as portas de cabine já existentes e a adotar a medida em aviões novos. Empresas e fabricantes também escolheram materiais à prova de balas, compósitos, batentes reforçados e fechaduras. A Organização da Aviação Civil Internacional, agência da ONU responsável por supervisionar a aviação global, mantém normas semelhantes para os países membros.
Marco Chan, professor sênior de operações de aviação na Universidade de Kingston, em Londres, afirmou que os investigadores devem começar pelos gravadores de dados do voo e de voz da cabine. Também devem ouvir tripulantes, pilotos que estavam de folga e passageiros para esclarecer, entre outros pontos, como a porta foi aberta.









