A descoberta dos corpos de nove mulheres em Ekurhuleni, perto de Joanesburgo, provocou protestos e corridas em memória na África do Sul. Os assassinatos ocorreram nos últimos dois meses, e a polícia investiga se existe relação entre os crimes.
A maioria das vítimas tinha entre 20 e 40 anos. Algumas foram encontradas sem roupas e apresentavam sinais de violência sexual. Uma das homenageadas foi Elizabeth Moselakgomo, que desapareceu depois de sair para correr e foi encontrada morta dias depois.
Na manhã deste sábado (19), participantes de uma corrida em Joanesburgo acenderam velas e levaram uma faixa com a mensagem: “Chega. Parem com o feminicídio”. Dezenas de pessoas vestidas de preto participaram do ato.
“Estamos aqui porque perdemos uma corredora. Mas não estamos seguras em lugar nenhum”, disse Lerato Lentsela, uma das participantes.
Cobranças por segurança
Os casos renovaram a indignação contra a violência de gênero no país, declarada um desastre nacional em 2025. Mulheres afirmam que a atenção dada ao problema e as promessas oficiais não foram suficientes para aumentar a sensação de segurança.
O presidente Cyril Ramaphosa afirmou na quinta-feira (17) que a África do Sul não poderia se acostumar com esse tipo de violência e prometeu que nenhum esforço seria poupado nas investigações.
A organização Women for Change realizou um evento em memória na Cidade do Cabo na sexta-feira (18). Merlize Jogiat, integrante do grupo, disse que o policiamento enfrenta corrupção e falta de recursos. Apenas cerca de um em cada dez assassinatos é solucionado.
A entidade também criticou orientações da polícia para que mulheres adotassem precauções extras ao caminhar ou se exercitar sozinhas. Em uma publicação nas redes sociais, o grupo afirmou que a responsabilidade pela segurança não deve ser transferida às vítimas.








