PARIS — Protestos estudantis se espalharam pela França e aumentaram a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron. O movimento começou há quase duas semanas em Seine-Saint-Denis, área de baixa renda ao norte de Paris, e alcançou outras regiões do país.
Na quinta-feira (1/10), centenas de liceus foram bloqueados. No dia seguinte, cerca de 400 continuavam fechados para proteger funcionários e alunos. As universidades também começaram a aderir aos bloqueios.
A violência deixou danos e feridos. O salão principal de um liceu em Nantes foi destruído por um incêndio, enquanto outros focos menores foram registrados nas entradas de escolas. O prejuízo estimado é de milhões de euros.
Segundo o ministro da Educação, Édouard Geffray, 65 integrantes das equipes escolares ficaram feridos, entre eles 40 diretores. O governo também informou que cerca de 300 policiais e bombeiros receberam atendimento médico e que aproximadamente 2 mil pessoas, principalmente menores de idade, foram detidas.
Grupos estudantis, por outro lado, afirmam que muitas pessoas foram feridas pela polícia. Dois adolescentes tiveram lesões oculares graves, e um deles perdeu vários dentes.
Reivindicações e orçamento
Os estudantes pedem mais recursos, professores, turmas menores e instalações melhores. A situação do sistema educacional é descrita como piora por causa da escassez de verbas.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou nesta semana uma proposta de orçamento para o próximo ano. O plano prevê retirar 54 bilhões de euros dos gastos públicos. A medida indica o fim da possibilidade de ampliar despesas para conter conflitos sociais, segundo a análise apresentada.
O governo francês também teme que a mobilização seja usada pela extrema esquerda e que os confrontos indiquem uma polarização maior no período que antecede as eleições presidenciais.
Disputa política
Partidos de direita e de centro acusam a França Insubmissa (LFI) e seu candidato, Jean-Luc Mélenchon, de estimular os protestos. Dirigentes da legenda apareceram ao lado de estudantes, principalmente em Saint-Denis, onde o prefeito Bally Bagayoko afirmou que a violência às vezes pode ser legítima.
Um relatório interno preparado para o departamento de polícia de Paris e posteriormente divulgado apontou a ação de integrantes de extrema esquerda de grêmios estudantis e de grupos políticos como a LFI. O documento mencionou a presença de pessoas que não eram estudantes do ensino médio, a falta de precisão das reivindicações, bandeiras palestinas e argelinas e protestos convocados em delegacias.
A LFI nega ter feito mais do que apoiar um movimento que considera legítimo. Mélenchon pediu que os estudantes evitassem a violência, que, segundo ele, só favorece os adversários.
O candidato tem apoio de cerca de 40% entre os jovens franceses de 18 a 24 anos, especialmente nos subúrbios populosos e com alta imigração. Esse grupo, porém, também registra os maiores índices de abstenção nas eleições.
Mélenchon tem 75 anos e pode chegar ao segundo turno em maio, provavelmente contra Marine Le Pen. Pesquisas citadas no texto apontam uma derrota ampla dele para a candidata de extrema-direita em um eventual segundo turno.









