FRANÇA — Mais de 560 escolas de ensino médio estão fechadas nesta sexta-feira, 2, após uma semana de protestos estudantis por melhores condições de ensino. As manifestações se espalharam pelo país, com confrontos com a polícia, incêndios e depredações. Quase 2.000 pessoas foram detidas desde o início dos atos, segundo o ministro da Justiça, Gérald Darmanin.
Os estudantes pedem redução da superlotação nas salas, contratação de professores para cobrir ausências e mais investimentos na infraestrutura escolar. Também criticam as longas jornadas de estudo e o Parcoursup, plataforma usada para o ingresso no ensino superior.
Na região de Île-de-France, que inclui Paris e seus arredores, 55 escolas registraram episódios de violência, confrontos e vandalismo nesta sexta-feira. Cerca de 50 portões e áreas de acesso foram danificados desde o começo das mobilizações. Em Estrasburgo, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. Em Marselha, agentes foram alvo do lançamento de fogos de artifício.
Pelo menos 65 funcionários da educação ficaram feridos, entre eles 40 diretores de escolas, de acordo com o ministro da Educação, Edouard Geffray. Ele afirmou que o movimento, inicialmente considerado legítimo pelo governo, passou a ser “sequestrada” por grupos externos violentos.
Darmanin disse que aproximadamente 90% dos detidos são menores de idade. O ministro também pediu aos promotores que busquem responsabilizar civilmente os pais de jovens envolvidos em depredações, para que possam arcar com os prejuízos causados pelos filhos.
Governo tenta responder às reivindicações
Geffray anunciou uma plataforma para ouvir os estudantes e afirmou que parte das demandas poderá receber “respostas muito concretas”. O ministro também pediu que os pais desestimulem a participação dos filhos nos atos. “O que importa agora é fazer com que nossos filhos não estejam mais nas ruas, porque estão em perigo”, declarou.
Segundo o Ministério do Interior, cerca de 200 mil pessoas participaram de mais de 170 manifestações em todo o país até esta quinta-feira. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) estimou o público em mais de 300 mil.
As mobilizações ocorrem paralelamente a protestos de servidores públicos contra cortes de gastos. A categoria reivindica reajustes salariais, novas contratações e melhores condições de trabalho.
A onda de atos aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que tenta aprovar um plano de austeridade com corte de 54 bilhões de euros do orçamento para 2027. O gabinete realizou uma reunião de emergência na quinta-feira para discutir os protestos, que acontecem a poucos meses da eleição presidencial francesa, marcada para abril e maio de 2027.








