O governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, o primeiro em quatro anos. O piso do benefício passará de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio deverá subir de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, pouco antes do segundo turno previsto para 25 de outubro.
O anúncio ocorreu 17 dias antes do primeiro turno e foi interpretado por analistas como uma medida com possível impacto eleitoral. Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, disse que o reajuste faz parte de uma estratégia econômica voltada ao efeito sobre o voto. Ele também comparou a iniciativa à ampliação do Auxílio Brasil promovida por Jair Bolsonaro em 2022, quando o benefício passou de R$ 400 para R$ 600.
A diferença, segundo Cortez, é que o reajuste atual está previsto na lei do Bolsa Família e foi apresentado pelo governo como recomposição da inflação acumulada desde 2023. A Advocacia-Geral da União afirmou que a correção, calculada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026, não amplia o público atendido e não viola as regras eleitorais.
Pesquisas BTG Nexus indicaram que, em um eventual segundo turno, 73% dos beneficiários do programa votariam em Lula, contra 23% em Flávio Bolsonaro. O analista Creomar de Souza avaliou que o pagamento próximo da eleição pode não ter tempo suficiente para produzir uma mudança expressiva no voto, mas pode ajudar o governo a tirar o foco da crise do Supremo Tribunal Federal.
Flávio Bolsonaro afirmou que manteria o reajuste se fosse eleito, mas chamou a medida de “desespero” e disse que Lula “sabe que já perdeu”. Renan Santos pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a suspensão do aumento até a posse do vencedor. Ronaldo Caiado classificou o anúncio como “medida eleitoreira”, enquanto Romeu Zema defendeu um reajuste direcionado a grupos específicos.
O Ministério do Planejamento estima que a medida aumentará em R$ 5,8 bilhões os gastos do programa neste ano. Para 2027, a previsão é de elevação do orçamento de R$ 157,1 bilhões para R$ 179,1 bilhões. O governo afirma que o impacto será compensado dentro do orçamento total, com redução de outras despesas e queda no número de famílias atendidas.









