O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou nesta quarta-feira, 30, que o retorno do Reino Unido à União Europeia pode ser considerado no futuro. A possibilidade foi mencionada em entrevista à BBC Radio 4, durante discussão sobre os caminhos para as relações entre o país e o bloco.
Burnham disse que o Reino Unido pode manter o modelo atual, voltar à união aduaneira ou ao mercado único, ou reincorporar-se totalmente à União Europeia. O premiê afirmou que será necessário avaliar a viabilidade, além das vantagens e desvantagens de cada alternativa, sem indicar sua preferência.
Na terça-feira, durante o congresso do Partido Trabalhista, em Liverpool, Burnham havia declarado que pretende apresentar “diferentes opções” para as relações de longo prazo com a UE. A proposta deve ser discutida em uma cúpula prevista para ocorrer até o fim do ano.
Impactos atribuídos ao Brexit
Burnham fez campanha contra a saída do Reino Unido da UE em 2016 e voltou a dizer que o Brexit trouxe mais prejuízos do que benefícios, especialmente na economia. Antes de assumir o governo, no início de junho, ele já havia afirmado esperar que o país retornasse ao bloco.
Uma estimativa de economistas da Universidade de Stanford aponta que, uma década após o Brexit, o Produto Interno Bruto britânico está entre 6% a 8% abaixo do que estaria sem o processo. O investimento teria ficado entre 12% e 13% menor, enquanto o emprego estaria 3% ou 4% abaixo do cenário projetado sem a saída.
O Partido Trabalhista chegou ao poder em 2024 defendendo uma aproximação com a UE, mas descartando o retorno à união aduaneira, ao mercado único e a retomada da livre circulação de pessoas.
A cúpula entre Reino Unido e União Europeia foi adiada após a renúncia, em julho, do então primeiro-ministro Keir Starmer, sucedido por Burnham como líder do partido e chefe de Governo. Entre os temas previstos está a política “Made in Europe”, que prioriza empresas e produtos do bloco em determinados setores. O Reino Unido quer tratamento equivalente para suas empresas.
Pesquisa do Conselho Europeu de Relações Exteriores, publicada em junho, indicou que até dois terços dos eleitores britânicos consideram negativa a saída da UE. Entre os entrevistados, 56% avaliaram que a decisão prejudicou o combate à imigração ilegal, o comércio e a burocracia; 57% disseram que ela reduziu oportunidades para os jovens, e 57% a classificaram como um “erro”.








