Mulheres que sobreviveram a anos de exploração sexual em Oxford, na Inglaterra, afirmam que ainda encontram abusadores circulando livremente pela cidade. Algumas dizem que os criminosos receberam penas curtas ou nunca foram processados.
Sarah, Chloe e Rachel tiveram as identidades alteradas. Sarah e Chloe falaram publicamente pela primeira vez sobre os abusos. Sarah disse que vê homens que participaram dos crimes em lojas, postos de gasolina e restaurantes. Chloe contou que já encontrou alguns deles no supermercado e sente “enjoo e frio” quando isso acontece.
As investigações policiais identificaram grupos que exploraram e abusaram sexualmente de meninas menores de idade em cidades inglesas como Oxford, Rotherham, Rochdale e Telford, entre as décadas de 1990 e 2010. Em Oxford, o primeiro julgamento ocorreu em 2013 e terminou com a condenação de sete homens. Estimativa de 2015 apontou que mais de 370 crianças haviam sido abusadas.
Investigação nacional
O governo do Reino Unido lançou em abril uma investigação nacional para examinar como as quadrilhas atuavam, o que as forças policiais sabiam e por que muitas crianças não foram ouvidas ou acabaram responsabilizadas pelo próprio abuso. O trabalho deve durar no máximo três anos, até 2029, com orçamento de 65 milhões de libras (R$ 440 milhões).
O caso de Sarah levou à condenação de três homens em 2020, com penas entre cinco e 24 anos. Ela afirma ter sido abusada e drogada com heroína desde os 11 anos e considera as sentenças brandas e tardias.
Rachel, abusada entre os 12 e os 15 anos, foi testemunha central no julgamento de 2013. Ela afirma que muitos envolvidos continuam livres. No total, 21 homens foram condenados em conexão com a quadrilha de Oxford.
Chloe não denunciou os crimes à polícia. Ela relata que os homens ofereciam álcool e pagavam suas despesas antes de dizer que ela tinha uma dívida. Segundo seu relato, depois vinha o abuso sexual.
O ex-detetive Simon Morton, que liderou a investigação inicial em Oxford, reconheceu falhas da equipe para compreender a dimensão dos crimes. “Deveríamos ter feito mais. É trágico”, afirmou.
A polícia do Vale do Tâmisa declarou que trabalha para investigar e processar os envolvidos. Um porta-voz disse: “Nunca é tarde demais para denunciar”.









