Moradores do sul do Líbano enfrentam restrições para entrar e sair de vilarejos cercados por áreas ocupadas por Israel. Em Rmeish, Ain Ebel e Debel, comunidades de maioria cristã dependem de comboios liderados pela ONU para chegar às próprias casas.
A Caritas ajuda a organizar parte das viagens, mas precisa solicitar autorização ao exército israelense para cada passageiro por meio de um mecanismo de monitoramento liderado pelos Estados Unidos. Os pedidos geralmente são aprovados, embora os comboios possam atrasar ou ser cancelados. O percurso leva de algumas horas a um dia inteiro.
A faixa ocupada por Israel tem cerca de 10 quilômetros de profundidade. O país afirma que a área funciona como uma zona de segurança para proteger moradores do norte de Israel de ataques com foguetes do Hezbollah. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, prometeu destruir todas as casas nos vilarejos próximos à fronteira.
O Ministério da Saúde do Líbano afirma que mais de 4.300 pessoas morreram em ataques israelenses desde 2 de março. As Nações Unidas informam que mais de 350 mil continuam deslocadas desde o início da ocupação.
Famílias separadas
Ronnie e Rita Alam deixaram Rmeish com as duas filhas em março, quando os bombardeios se intensificaram. A família alugou uma casa em Beirute, aumentando as despesas. Na primeira volta ao vilarejo em quatro meses, Ronnie acompanhou a esposa e as filhas, mas precisou retornar ao trabalho na capital.
“Estou feliz por voltar para casa, mas triste porque meu marido não estará comigo”, disse Rita. “Nossa família está sendo separada”, afirmou.
Embora exista um cessar-fogo, ataques israelenses continuam diariamente no sul do Líbano. Israel sustenta que as ações são permitidas pelo acordo mais recente. Ronnie disse que, financeiramente, não havia alternativa para enviar a família de volta.
Exército libanês
Um acordo-quadro liderado pelos Estados Unidos e assinado por Israel e Líbano em junho prevê a transferência de pequenas áreas ocupadas para o exército libanês, criando as chamadas zonas-piloto. O avanço do plano, porém, permanece incerto.
Em Zawtar al-Gharbiyeh, soldados libaneses patrulham a área para impedir a entrada de grupos armados não estatais, confiscar armas e restaurar a autoridade do Estado. O coronel Raja Amer disse que a prioridade é permitir o retorno dos moradores deslocados.
Os soldados recebem, em média, 500 dólares por mês, e parte dos equipamentos está obsoleta ou em falta. De acordo com o exército libanês, 34 militares morreram somente em 2026. Amer também afirmou que foram registrados mais de 5 mil ataques israelenses ao Líbano desde a assinatura do acordo-quadro.
Israel não mantém presença militar em Zawtar al-Gharbiyeh, mas tanques e tratores israelenses podem ser vistos a poucas centenas de metros. Moradores e soldados relatam voos constantes de drones e disparos de artilharia todos os dias.
As negociações entre Israel e Líbano estão paralisadas. O ministro da Defesa de Israel declarou que os militares não deixariam o território libanês, mesmo se os Estados Unidos exigissem a retirada.
Menos de um em cada 20 moradores de Zawtar al-Gharbiyeh voltou para casa, segundo o exército libanês. Mahmoud Darwish, que ficou deslocado por cinco meses, retornou em julho e encontrou a residência danificada, com escombros, fuligem e oliveiras destruídas.








