A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na quarta-feira (16) que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia. A iniciativa busca ampliar a cooperação entre os dois lados em um momento de tensão comercial com os Estados Unidos.
A proposta foi apresentada durante o discurso de von der Leyen sobre o estado da União, em Estrasburgo, na França, com a presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney. “Gostaria de trabalhar com você para abrir a porta para que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia”, disse ela.
Von der Leyen citou possíveis avanços conjuntos em manufatura inteligente, tecnologia, defesa, segurança cibernética e inteligência artificial. Também mencionou energia, minerais críticos e baterias. Segundo a presidente da Comissão Europeia, a aproximação “não é uma parceria contra ninguém”.
Relação comercial e possíveis acordos
Ainda não foram divulgados os detalhes do que significaria o status de membro associado, nem se todos os países da UE apoiam a proposta. Entre as possibilidades discutidas estão a redução de barreiras comerciais, a instalação de cabos submarinos entre o Canadá e a Europa, o acesso europeu ao gás canadense e novos projetos de tecnologia e inteligência artificial.
Também foi considerada a possibilidade de permitir que canadenses vivam e trabalhem na Europa sem visto. O Parlamento Europeu anunciou a abertura de um escritório-antena em Ottawa para aprofundar o diálogo político e a cooperação com o Canadá.
A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Canadá. O comércio de bens e serviços entre os dois lados chegou a €130,8 bilhões ($151 bilhões) no ano passado, alta de mais de 80% na última década. Automóveis, maquinário e produtos farmacêuticos estão entre as principais exportações europeias para o Canadá. Do lado canadense, destacam-se petróleo bruto, fertilizantes, minerais críticos e metais básicos.
Apoio e resistência
O Canadá enfrenta uma guerra comercial com os Estados Unidos, seu maior parceiro comercial. O presidente Donald Trump também já pediu que o país se tornasse o 51º estado americano, proposta rejeitada por Mark Carney.
Uma pesquisa da Abacus Data indicou que cerca de 80% dos canadenses defendem o aprofundamento da cooperação com a UE em política externa, defesa e economia. Outros 56% disseram que o Canadá tem mais em comum com os países da União Europeia do que com os Estados Unidos, enquanto 49% apoiariam a entrada do país no bloco.
A adesão plena, porém, enfrenta obstáculos. O Canadá não está geograficamente na Europa, e a entrada na União Europeia depende da aprovação unânime dos 27 estados-membros. Atualmente, nove países são candidatos à adesão.
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, já mencionaram a possibilidade de uma aproximação maior. Apesar disso, dez estados-membros ainda não ratificaram o acordo comercial firmado entre Canadá e UE em 2016.
No Canadá, Pierre Poilievre, líder do Partido Conservador, classificou a iniciativa de Carney como “fora da realidade”.








