RIO DE JANEIRO — O ato de Luiz Inácio Lula da Silva com artistas, realizado na quarta-feira (23), no Rio de Janeiro, provocou críticas entre aliados do PT. A avaliação foi de que a agenda alcançou principalmente pessoas já identificadas com o presidente, em uma ação descrita internamente como “pregar para convertidos”.
Integrantes da campanha do Partido dos Trabalhadores disseram que o evento foi planejado para gerar imagens para as redes sociais e trechos para a campanha na televisão. A programação reuniu artistas de novelas da Globo, além de Chico Buarque e Caetano Veloso.
Outros petistas consideraram a iniciativa um erro estratégico. Na avaliação deles, a realização do ato exigiu convites, aluguel de local e deslocamento do presidente, que poderia ter participado de uma atividade em Minas Gerais ou consolidado votos em Pernambuco.
Críticas de Washington Quaquá
Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, manifestou publicamente a insatisfação. Para ele, a agenda não ampliaria o eleitorado de Lula. “Nós precisamos ganhar voto de quem não vota no Lula”, afirmou. Quaquá defendeu que o presidente busque eleitores do gospel e do sertanejo.
O prefeito organizou a agenda de Lula em São Gonçalo nesta quinta-feira (24), considerada por ele mais relevante eleitoralmente do que o evento com artistas.
Pela manhã, Lula visitou obras de modernização e ampliação da rodovia Presidente Dutra, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No discurso, criticou a cultura de governar em benefício de aliados e disse que “quem é amigo de um presidente é o povo e não o ex-banqueiro Daniel Vorcaro”.
À tarde, participou de uma caminhada de campanha à reeleição em São Gonçalo. A cidade é apontada como berço eleitoral de Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, e teve 55% dos votos para Jair Bolsonaro (PL) no primeiro e no segundo turno da última eleição.
No trio elétrico, estiveram Eduardo Paes, Benedita da Silva, Pedro Paulo, Eduardo Cavalieri e Rodrigo Neves.
A fala sobre Daniel Vorcaro ocorreu um dia após Flávio Bolsonaro apresentar ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime contra Lula, com pedido de investigação por suposta corrupção passiva e advocacia administrativa no caso do Banco Master. Em São Gonçalo, Lula também disse que “não pode permitir que o STF fique sob suspeita” e que “não cabe representação de miliciano dentro do Planalto”. O presidente ainda pediu que os idosos votem nas eleições.







