Candidatos ao Senado passaram a ajustar o discurso de campanha diante da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia adotada por parte deles combina a defesa de investigações e da transparência com a avaliação dos riscos de uma oposição aberta à Corte.
Dirigentes de partidos de centro e centro-esquerda afirmam, sob reserva, que fazem análises internas sobre o cenário. A avaliação é que a crise pode favorecer candidatos abertamente contrários ao STF, mas também existe receio de adotar uma postura considerada “antitudo” em um momento descrito como complexo e grave.
O tema tem sido testado principalmente por candidatos ao Senado, responsável por conduzir processos de impeachment de ministros do Supremo. Muitos seguem a linha usada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e pelo próprio presidente, com críticas a vazamentos e referências ao caso Dark Horse, que investiga o senador Flávio Bolsonaro.
Em Sergipe, Rogério Carvalho (PT-SE), que busca mais oito anos no Senado, defendeu a retirada do sigilo de todas as informações para evitar seletividade. Ao ser questionado sobre Alexandre de Moraes, afirmou que ministros devem cumprir suas funções e responder conforme a lei quando isso não ocorrer.
Marina Silva (Rede), candidata em São Paulo, classificou como gravíssimas as denúncias envolvendo Moraes e defendeu que o ministro se explique e se afaste temporariamente. Simone Tebet (PSB), que disputa o Senado em dobradinha com Marina, declarou indignação e apoiou a abertura de investigação.
Em Minas Gerais, Marília Campos (PT) propôs um código de ética para o STF e cobrou transparência, sem citar Moraes. No Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD), ex-ministro da Agricultura, pediu o afastamento ou o impeachment do ministro.
Marqueteiros de campanhas governistas avaliam que a disputa em torno do STF não pertence exclusivamente à esquerda ou à direita, mas representa uma crise institucional. Nesse cenário, Lula enfrenta mais desgaste por ser visto pelo eleitor como parte do sistema.








