A crise no Supremo Tribunal Federal se agravou após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master. O documento foi tornado público na última terça-feira (1º).
O relatório foi produzido com dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido na operação Compliance Zero. Segundo a PF, as mensagens indicam uma suposta proximidade entre o ministro e o ex-banqueiro. Em conversas ocorridas às vésperas da prisão de Vorcaro, ele perguntou a Moraes sobre a possibilidade de deixar o país e expressou gratidão ao magistrado.
As investigações também identificaram encontros entre Moraes e Vorcaro realizados entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. Paulo Gonet aparece em mensagens trocadas com Vorcaro, com intermediação do advogado Ciro Soares. As conversas, entre abril de 2024 e junho de 2025, mencionavam viagens, uísque, charutos e fotos de Gonet ao lado de Soares.
Andrei Rodrigues é citado em uma conversa na qual Vorcaro pergunta a Moraes sobre a possibilidade de reverter as investigações contra o Banco Master por meio do diretor-geral da PF.
Reações no Supremo
Na última quinta-feira (3), Moraes acusou Mendonça de improbidade administrativa e abuso de autoridade na condução do Caso Master. Ele também pediu a Edson Fachin, presidente do STF, a abertura de uma ação contra o colega, sob a alegação de atuação fora das regras regimentais.
Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Rodrigues e Gonet apresentem manifestações em cinco dias. Depois, deverá reunir as explicações e analisar a regularidade das apurações. A questão poderá ser levada ao plenário do Supremo.
O presidente da Corte afirmou que a resposta institucional será “firme, proporcional e rigorosa”. Fachin também defendeu a criação de um código de ética no STF e o encerramento do inquérito das Fake News.
Avaliação de juristas
O professor Gustavo Sampaio afirmou que o plenário do STF tende a não formar maioria para autorizar uma investigação. Segundo ele, apesar de as conversas terem sido obtidas de forma fortuita, qualquer nova apuração contra um ministro precisa da autorização do plenário.
Já Luiz Fernando Esteves avaliou que o primeiro ponto a ser analisado deve ser a validade do relatório da PF solicitado por Mendonça. Só depois, segundo o professor, o tribunal deveria discutir se Mendonça ultrapassou suas atribuições.



