O entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o pedido de vista do ministro Flávio Dino no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) pode criar dificuldades para a campanha de reeleição. A decisão ocorreu na última terça-feira (15), durante uma sessão sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes.
Aliados de Lula esperavam que o julgamento levasse à abertura de uma investigação contra Moraes. A expectativa era que esse resultado respondesse a uma demanda social, reduzisse a exposição do STF e permitisse que outros temas ganhassem espaço na disputa eleitoral.
A oposição, porém, tenta relacionar ao Palácio do Planalto a atuação de Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, descritos como uma frente de apoio a Moraes. Nos bastidores, aliados do presidente avaliam pressionar Dino a devolver o pedido de vista para que o tribunal encerre o caso.
A campanha pretende sustentar nos próximos dias que a crise está limitada ao Poder Judiciário e não tem relação com o Executivo. Lula também deve continuar defendendo investigações independentemente de quem seja atingido.
Investigação contra Moraes
Integrantes da campanha afirmam que Lula apoia a abertura de uma investigação contra Moraes. O mesmo princípio, dizem, vale para o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A sessão foi encerrada durante a análise de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O ministro propôs reunir os processos relacionados a Moraes e à conduta de André Mendonça, além de transferir o julgamento para 23 de setembro.
Na última quinta-feira (10), o PT realizou uma reunião de emergência para tratar da crise no STF, dos efeitos sobre a campanha presidencial e das medidas de reação. A avaliação interna foi de que o cenário político mudou após o início da crise e que a campanha precisa ser reorganizada diante dos resultados negativos das pesquisas.
Depois da reunião, o partido aprovou uma resolução que defende uma reforma do Judiciário. O documento também prevê discussões sobre mandatos para ministros do STF e de outras cortes superiores.








