A campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência tenta apresentar o senador como uma versão mais moderada do pai, Jair Bolsonaro. A estratégia, porém, enfrenta novas pressões após a revelação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre recursos para um filme em homenagem ao ex-presidente.
Segundo o Intercept Brasil, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a produção no ano passado. O acordo de financiamento chegaria a R$ 134 milhões. Flávio afirma que buscava patrocínio privado e nega ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro.
A relação com Vorcaro se soma às suspeitas antigas envolvendo o senador, como o caso conhecido como rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e os vínculos com o miliciano Adriano da Nóbrega. Flávio nega as acusações.
A tentativa de mudar a imagem
Nas redes sociais, Flávio tem destacado diferenças em relação ao pai. Em vídeo publicado com a esposa, Fernanda, ele se apresenta como o Bolsonaro que tomou vacina. Também divulgou conteúdos sobre o Carnaval, feminicídios, falta de creches e figuras históricas da luta pelos direitos das mulheres.
A senadora Damares Alves afirma que o senador não tenta parecer moderado: ele seria, na avaliação dela. Já Yuri Sanches, da AtlasIntel, diz que Flávio precisa reduzir a rejeição associada ao sobrenome e aos casos de corrupção. Para o analista, o episódio envolvendo Vorcaro prejudica esse esforço.
O PT explora a tese de que não existe Bolsonaro moderado. Um vídeo divulgado pelo deputado Lindbergh Farias classifica Flávio como integrante da extrema-direita e cita declarações sobre o uso da força para garantir anistia ou indulto ao pai, caso o Supremo Tribunal Federal considere a medida inconstitucional.
Rachadinha e milícias
Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro por 16 anos, de 2003 a 2018. Em 2020, o Ministério Público acusou Fabrício Queiroz de operar um esquema que recolhia parte dos salários de funcionários do gabinete. A denúncia mencionou 12 funcionários fantasmas e R$ 6,1 milhões em valores da época.
O caso foi paralisado por decisões judiciais relacionadas ao foro privilegiado e à legalidade das provas. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que a investigação foi encerrada após decisão do ministro Gilmar Mendes, em fevereiro de 2025.
Adriano da Nóbrega foi homenageado por Flávio em 2003 e 2005. A mãe e a então esposa dele trabalharam no gabinete do senador, que afirma não saber das atividades criminosas atribuídas ao ex-policial. Flávio também rejeita a acusação de defender milícias.
Para Marcelo Freixo, o senador representava, no Rio, um papel de coordenação da atuação política da família Bolsonaro. Na avaliação dele, apesar de ter comportamento diferente do pai, Flávio representa o mesmo projeto político.









