BRASÍLIA — O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito contra o presidente Lula (PT). A representação aponta suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa e foi anexada a um inquérito relatado pelo ministro André Mendonça.
O pedido se baseia em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Nos diálogos, o então advogado do banqueiro, Walfrido Warde, relata conversas que afirmou ter tido com Lula e menciona um possível whisky entregue ao presidente.
Lula afirma que só se encontrou com Vorcaro uma vez, em 4 de dezembro de 2024. A reunião ocorreu fora da agenda oficial e foi intermediada pelo ex-ministro Guido Mantega. Depois do encontro, Warde escreveu ao cliente: “Parabéns. Soube que foi muito bom”. Em outra mensagem, o advogado disse que Lula “agradeceu mais de uma vez o whisky”.
Um mês depois, Warde afirmou que o presidente havia “mandado um abraço”. Lula nega ter recebido presentes do banqueiro. Vorcaro está preso há seis meses em Brasília e pretende fechar um acordo de delação premiada.
Pedido de apuração
A notícia-crime afirma que o possível recebimento do presente precisa ser esclarecido por ter ocorrido em uma reunião fora da agenda com um banqueiro cujos negócios dependeriam de decisões do Estado. A defesa de Flávio sustenta que as mensagens podem indicar a atuação de Vorcaro em defesa de interesses privados junto à administração pública.
Na representação, os advogados também afirmam que Lula pode ter usado o cargo para ajudar o banqueiro, inclusive com o encaminhamento de pautas de interesse e orientação para que órgãos técnicos analisassem a situação de forma leniente. O documento ressalva que a investigação não significa condenação antecipada.
O caso deve ser encaminhado ao procurador-geral da República, que dará um parecer sobre o pedido.








