São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00% São Paulo 23°C 18° / 28°
A notícia como ela é
Lula endurece discurso sobre bets; Flávio critica regulamentação atual, mas defende aposta esportiva
Política

Lula ameaça proibir bets, enquanto Flávio defende apostas em esportes reais

Presidente diz que pode acabar com as plataformas se a regulação não funcionar; senador critica cassinos online, mas apoia apostas esportivas controladas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu o discurso contra as bets e afirmou que o governo avalia proibir as plataformas de apostas e os cassinos online, como o jogo do tigrinho. Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência e senador, critica a regulamentação aprovada no governo Lula, mas defende apostas em partidas reais de futebol, vôlei e tênis.

Lula afirma que o modelo transforma o vício em lucro e contribui para o endividamento das famílias. Na propaganda eleitoral, passou a classificar as apostas online como vício e doença e declarou: “A gente vai acabar com as bets”.

A posição representa uma mudança em relação à estratégia inicial do governo. Em 2023, o Executivo enviou ao Congresso uma proposta para regulamentar as apostas de quota fixa, modalidade autorizada por uma lei aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer. No fim de 2023, Lula sancionou a Lei 14.790, que criou exigências de licença e tributação e regras contra lavagem de dinheiro, manipulação de resultados e jogo problemático.

Em entrevista à Rádio Metrópole, em outubro de 2024, Lula disse que a escolha era entre encerrar as apostas ou submetê-las a regras: “Nós optamos pela regulação”. Ele acrescentou que, se a regulação não resolvesse o problema, acabaria com as bets.

Dados sobre o mercado

Em maio de 2026, no programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula afirmou que proibiria todas as bets, mas ponderou que a decisão não dependia apenas dele. Em agosto, durante a campanha, disse que acabaria com as plataformas se isso dependesse de sua vontade. Em setembro, comparou a expansão das apostas à do crack ao falar sobre os efeitos sociais do setor.

O Banco Central estimou que cerca de 24 milhões de pessoas fizeram pelo menos uma transferência por Pix para empresas de apostas e jogos online em 2024. Os valores mensais movimentados ficaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. Em agosto de 2024, cinco milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões por Pix para essas empresas.

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas indicam que 43,8 milhões de brasileiros haviam apostado em plataformas autorizadas até agosto de 2026, o equivalente a 27% da população adulta. No primeiro semestre, as plataformas receberam R$ 88,5 bilhões em depósitos e pagaram R$ 68,3 bilhões em prêmios.

Em julho, novas regras passaram a exigir alertas de que apostar pode causar dependência, envolve risco de perda financeira e não é investimento. A regulamentação também proibiu anúncios com palpites ou análises capazes de induzir apostas, além de mensagens que prometam ganhos garantidos, incentivem o jogo excessivo ou pressionem o usuário a apostar imediatamente. Beneficiários do Bolsa Família e do BPC foram impedidos de usar as plataformas legais.

Críticas de Flávio

Flávio Bolsonaro afirma que votou contra o projeto de regulamentação e diz que muitas pessoas gastam mais do que podem, na expectativa de ganhar dinheiro, e acabam endividadas. Ele atribui a Lula a criação das regras, embora as apostas de quota fixa tenham sido autorizadas em 2018.

O senador diferencia os cassinos online das apostas esportivas. “O cassino online tem que acabar”, disse em uma transmissão com Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes. Ao mesmo tempo, afirma que apostas em partidas reais podem ser controladas.

A rejeição às bets aparece em pesquisas anteriores à atual disputa eleitoral. Em novembro de 2024, 65% dos brasileiros disseram ser favoráveis à proibição das apostas esportivas online. O índice foi de 68% entre mulheres e 61% entre homens.

Levantamento Atlas/Bloomberg divulgado nesta semana apontou que 75% defendem a proibição, ante 73% em abril. Na mesma pesquisa, 36% apontaram o governo Lula como principal responsável pela disseminação das bets, enquanto 25% citaram o governo Jair Bolsonaro e 16,5% responsabilizaram o Congresso.

Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, Lula e Flávio disputam eleitores que ainda não escolheram um candidato. Ele avalia que Lula tenta recuperar sua imagem com uma promessa de apelo popular, enquanto a campanha de Flávio procura retratar o governo como leniente com as apostas e a mudança de posição do presidente como motivada pela eleição.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5