SÃO PAULO — Um relatório da Polícia Federal detalha mensagens e ligações relacionadas à captação de recursos para o filme Dark Horse, com participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de intermediários. Os documentos foram tornados públicos depois que o ministro André Mendonça, do STF, derrubou o sigilo na última sexta-feira (11).
Os primeiros contatos registrados envolvem Thiago Miranda, identificado como fundador e sócio do Portal Leo Dias. Em 8 de dezembro de 2024, ele procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio Bolsonaro. O encontro também trataria do “filme do presidente”. Mário Frias (PL-SP), apontado como idealizador do projeto, participou das tratativas.
Um contrato encaminhado em dezembro informa que a produtora GoUp Entertainment, representada por Karina da Gama e Michael Brian Davis, receberia US$ 24 milhões, divididos em 14 parcelas. Em janeiro de 2025, Miranda começou a cobrar o primeiro aporte. Vorcaro indicou seu cunhado, Fabiano Campos Zettel, para tratar da operação.
Transferências e cobranças
As mensagens registram dificuldades para fazer o câmbio e realizar os pagamentos. Vorcaro sugeriu uma operação “via entre”, atribuída pela PF à Entre Investimentos, companhia localizada nas Bahamas. Em 13 de fevereiro de 2025, a empresa transferiu US$ 2 milhões para o fundo Havengate. Em abril, foram feitas duas remessas de US$ 1,66 milhão.
A PF também identificou cobranças sobre parcelas atrasadas e uma planilha chamada “Funding Schedule - Havengate Dev Fund”. Em setembro, Flávio Bolsonaro passou a cobrar diretamente Vorcaro. Em um áudio, demonstrou preocupação com os pagamentos ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh.
Em 22 de outubro de 2025, Flávio disse que as gravações estavam no terceiro dia e que seria necessário encontrar outro caminho “urgente” caso o pagamento não fosse realizado. Na mesma data, convidou Vorcaro para um jantar com Caviezel e Nowrasteh, em São Paulo. O encontro foi marcado para 6 de novembro, mas a PF não conseguiu confirmar se ocorreu.
As cobranças continuaram em novembro. Em 16 de novembro, Flávio escreveu: “Irmão, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. No dia 17, Vorcaro foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, enquanto tentava embarcar em um voo particular com destino a Malta, na Europa.








