Um relatório da Polícia Federal levanta a hipótese de que Dias Toffoli tenha sido beneficiário final ou proprietário de fato do Fundo de Investimento em Participações Arleen. O fundo teria recebido ao menos R$ 35 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O Arleen era sócio do resort Tayayá, ligado a Toffoli e à família do ministro em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. Conforme o documento, o fundo pertencia a Vorcaro e foi transferido, em fevereiro de 2025, para o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli e dono da FS Security.
Em março, Leite registrou a empresa Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas. Depois, o regulamento do Arleen foi alterado para permitir investimentos fora do país. Em novembro, o fundo começou a vender suas cotas e, no mês seguinte, cerca de R$ 34 milhões foram enviados à estrutura no exterior.
A PF afirma que os elementos analisados, em conjunto, indicariam a possibilidade de Toffoli ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do fundo e de seus ativos. O relatório também menciona o possível uso de pessoas interpostas e estruturas no exterior. Segundo os investigadores, ainda são necessários novos esclarecimentos, pois os dados não permitem conclusões definitivas.
Vorcaro acompanhava os repasses ao Arleen. Em agosto de 2024, ele teria acionado pessoas próximas, entre elas o cunhado Fabiano Zettel e o ex-ministro Fábio Faria, por causa de atrasos. O banqueiro também teria enviado mensagem diretamente a Toffoli.
Em novembro de 2025, Vorcaro passou a discutir a saída do Tayayá e a transferência do fundo para um comprador identificado apenas como Alberto. A PF concluiu que se tratava de Alberto Leite. O empresário também foi citado em um plano da Skylink, de abril de 2024, ao lado de Vorcaro e Fábio Faria.
Precatórios
O relatório avalia ainda a possibilidade de Vorcaro ter tentado influenciar uma decisão de Toffoli em um processo sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. O caso envolvia a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, e poderia afetar uma carteira do Banco Master que, segundo a PF, superava R$ 10 bilhões.
O julgamento ocorreu em outubro de 2024. Toffoli votou a favor da Alcídia, e a tese da usina venceu por 3 votos a 2. Antes da decisão, mensagens de pessoas próximas a Vorcaro demonstraram preocupação com o resultado. Fábio Faria escreveu: “Matou a gente”. O gabinete de Toffoli negou qualquer alteração de voto.
A PF identificou ao menos 12 encontros presenciais entre Toffoli e Vorcaro em situações consideradas não estritamente profissionais. O relatório também aponta que Roberta Rangel, então esposa do ministro, atuou como advogada do banqueiro entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2025.
O documento foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin. Depois, a PF pediu a suspeição de Toffoli, que deixou a relatoria do caso Master. Com a saída, o pedido perdeu objeto e foi arquivado. Em fevereiro, André Mendonça assumiu a relatoria. Na quinta-feira (10), ele retirou o sigilo de parte das investigações, mas o relatório sobre Toffoli não foi incluído porque já estava arquivado.








