A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que reúne mensagens sobre encontros entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em parecer, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que a investigação não poderia ter avançado daquela forma sem provocação do Ministério Público.
A PGR também questionou o tratamento dado a informações envolvendo autoridades com foro no Supremo. Moraes ainda não se pronunciou oficialmente sobre as citações presentes no documento.
O ministro aposentado do STF Marco Aurélio Mello, por outro lado, defendeu a atuação de André Mendonça nos inquéritos. Para ele, o ministro agiu corretamente ao retirar o sigilo do relatório e encaminhá-lo à PGR. “Eu penso que está havendo uma inversão de valores”, declarou.
Mensagens e encontros
O documento da PF registrou encontros entre Moraes e Vorcaro ocorridos de fevereiro de 2024 a agosto de 2025. O primeiro contato teria sido intermediado ainda em 2023 pelo ex-ministro das Comunicações no governo Bolsonaro Fábio Faria, que passou a Vorcaro o número de telefone de Moraes.
Mensagens analisadas indicam um jantar entre Moraes e Vorcaro em 2 de fevereiro de 2024, com a participação das respectivas esposas. Outros encontros teriam ocorrido em novembro de 2024.
Em março de 2025, Vorcaro informou à esposa que estava com Moraes e depois repetiu a informação a um diretor do Banco Central. No mês seguinte, disse que estava indo encontrar Moraes “perto de casa”.
O relatório também cita uma conversa entre Vorcaro e Paulo Gonet, intermediada pelo advogado Ciro Soares. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, aparece ainda entre as autoridades mencionadas no material. Marco Aurélio afirmou neste sábado (5) que Mendonça “procedeu como deveria proceder” ao encaminhar o documento.








