A Rússia Unida, partido ligado ao Kremlin, lidera as eleições legislativas russas com 57,04% dos votos, segundo dados parciais da Comissão Eleitoral Central (CEC). O resultado considera 25,21% dos votos apurados e corresponde a 125 das 225 cadeiras distribuídas pelo sistema de listas partidárias.
A legenda também aparece na liderança em 181 das 225 circunscrições eleitorais. Se o desempenho for confirmado, o partido se aproximará da maioria constitucional na Duma, a Câmara dos Deputados russa, que tem 450 cadeiras. São necessários mais de 300 assentos para alcançar esse patamar.
A participação eleitoral passou de 56%, acima dos dois pleitos anteriores. Em regiões ucranianas anexadas pela Rússia, como Donetsk e Lugansk, o comparecimento se aproximou de 80%.
O Partido Comunista da Rússia está em segundo lugar, com 13,92%, seguido pelo Partido Liberal Democrático da Rússia, com 9,31%, e pelo Nova Gente, com 8,01%. A Rússia Justa alcançava 5,22% e garantia representação parlamentar. Entre os outros cinco partidos que participaram da primeira eleição legislativa durante a guerra, apenas o Partido dos Pensionistas superava 2%, com 2,05%.
Denúncias da oposição
A votação foi marcada por denúncias de irregularidades apresentadas por grupos opositores à guerra na Ucrânia. O Yábloko não participou das listas partidárias após ser excluído pelo Tribunal Supremo, mas ainda pode conquistar cadeiras em disputas por circunscrições individuais. A legenda afirmou que a vitória da Rússia Unida não representa a demanda por paz manifestada por parte dos eleitores.
A CEC declarou que as irregularidades foram mínimas e não mudariam o resultado. O Yábloko e o Partido Comunista relataram pressão sobre candidatos e dificuldades para observadores acessarem locais de votação. A oposição também contestou a obrigatoriedade do voto eletrônico em alguns casos e afirmou que eleitores tiveram dificuldade para usar cédulas físicas.
Segundo o Centro Levada, 59% dos russos defendem um cessar-fogo. O partido governista, porém, teve como principal ponto de sua campanha o apoio à operação militar russa na Ucrânia.
Após os primeiros resultados, Dmitri Medvedev disse que os cidadãos russos mantêm a confiança na principal força política do país, que domina o Parlamento desde 2003. Serguei Lavrov afirmou que a Rússia manterá o rumo definido por Vladimir Putin.
No terceiro dia da eleição, autoridades russas relataram 450 drones e ataques com mísseis na região de Moscou. Três pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas. Quase 500 voos foram adiados ou cancelados. O Ministério da Defesa russo afirmou que ampliará os ataques contra alvos militares em Kiev.








