SÃO PAULO — A privatização da Sabesp aproximou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o então presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite. A articulação ocorreu durante negociações com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) sobre o controle da Casa e as eleições municipais de 2024.
A relação ficou pública em um evento na Vila Emir, na zona sul da capital, em 17 de janeiro de 2024. Durante a entrega da primeira fase de implantação da Usina Fotovoltaica Flutuante Araucária, Tarcísio elogiou Leite diante de apoiadores do vereador.
O acordo político também destravou o projeto de venda da Sabesp. A proposta dependia da aprovação da Câmara Municipal por causa de uma cláusula no contrato da estatal com o município. Leite, que presidia o Legislativo, mantinha a votação parada desde setembro de 2023.
Em troca, Leite buscava recuperar influência no Palácio dos Bandeirantes e participar da escolha do vice de Ricardo Nunes. Também usava a pré-candidatura do deputado federal Kim Kataguiri à Prefeitura de São Paulo para pressionar Nunes e obter o apoio do União Brasil, partido que tinha sete vereadores na capital.
Nunes apoiou a indicação de Ricardo Teixeira (União) para a presidência da Câmara. Tarcísio, por sua vez, garantiu a volta da influência de Leite no governo paulista, confirmada com a saída de Gilberto Kassab (PSD) da Casa Civil e a indicação de Arthur Lima, do União Brasil.
Depois dos entendimentos, Leite acelerou a tramitação da privatização da Sabesp. A cláusula que impedia a venda da estatal à iniciativa privada foi derrubada.
Nesta quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta atingiu Milton Leite e Danilo Morgado (PL) em uma investigação sobre possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no transporte coletivo. Leite teve a prisão decretada e é considerado foragido pela polícia; Morgado foi preso.
A operação tenta cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes conduz a ação com apoio do Gaeco, do Ministério Público de São Paulo.
A Polícia Civil identificou 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas, direta ou indiretamente, pelo PCC. Os elementos reunidos apontam para uma possível atuação de integrantes e intermediários da organização em empresas e procedimentos licitatórios.








