Publicações pagas em perfis estrangeiros passaram a promover as chances eleitorais de Flávio Bolsonaro (PL) em mercados da Polymarket, plataforma de previsão bloqueada no Brasil. Entre os perfis está o Visegrád24, que entrevistou o senador em fevereiro e divulgou conteúdos sobre suas cotações em 30 de abril e 20 de setembro.
Em uma das publicações, o perfil afirmou que a chance de vitória de Flávio estava aumentando e associou o senador ao presidente argentino Javier Milei. O post recebeu a indicação de parceria paga do X, mas o selo foi apagado. A publicação de 30 de abril informava que Flávio aparecia à frente de Lula nas cotações.
A Polymarket não realiza pesquisa eleitoral. Os percentuais representam preços de contratos negociados por usuários e não indicam a intenção de voto dos brasileiros. O acesso à plataforma foi bloqueado pelo governo brasileiro em abril, porque a empresa não tinha autorização para operar no país.
Conexões internacionais
A plataforma é parceira oficial de mercados de previsão do X desde junho de 2025. Em agosto de 2025, recebeu investimento do fundo 1789 Capital, do qual Donald Trump Jr. é sócio. Ele também passou a integrar o conselho consultivo da empresa.
Outra empresa ligada à divulgação foi a UHN Plus Media Network, da qual o empresário espanhol Javier Negre é vice-presidente. A UHN publicou conteúdos pagos relacionando Flávio às cotações da Polymarket. Negre também mantém veículos que anunciaram parceria com o Visegrád24 Español.
A cadeia inclui ainda o marqueteiro argentino Fernando Cerimedo, ex-sócio de Negre no La Derecha Diario. Cerimedo recebeu um prêmio apresentado por Eduardo Bolsonaro em Mar-a-Lago e anunciou que representaria na América Latina a Campaign Nucleus, criada por Brad Parscale, ex-chefe de campanha de Donald Trump.
Cerimedo nega qualquer vínculo com a campanha de Flávio e afirma que sua relação com UHN Plus, Visegrád24 e Polymarket é responsabilidade exclusiva de Javier Negre. A campanha de Flávio também disse não ter conhecimento dos anúncios e negou relação formal com Cerimedo.
Os registros disponíveis confirmam as conexões empresariais e as publicações, mas não demonstram que mídia, plataforma de apostas e tecnologia eleitoral façam parte de uma operação única para beneficiar Flávio. Também não foi localizado contrato entre a rede e a candidatura.
A legislação eleitoral permite propaganda paga na internet apenas nas hipóteses previstas em lei. As regras do TSE vigentes em 2026 proíbem conceder vantagem econômica para publicações político-eleitorais feitas em perfis próprios. A Justiça Eleitoral deverá analisar a origem dos pagamentos, os contratantes e eventual vínculo com a candidatura.








