A viagem de Flávio Bolsonaro à África do Sul, em 2025, para um safári com pessoas que depois passaram a ser investigadas por fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS entrou na campanha eleitoral do Paraná. Adversários de Sergio Moro, candidato ao governo estadual, associaram o episódio a um alerta recebido pelo então ministro da Justiça sobre descontos indevidos em benefícios.
A Polícia Federal identificou, no celular do senador Weverton Rocha, apreendido na Operação Sem Desconto, um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”. Participavam da conversa Flávio Bolsonaro, Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz. Os dois últimos aparecem nas investigações sobre o esquema, e Tomaz foi alvo de busca e apreensão.
Também participou da viagem o empresário Carlos Alberto de Sá, sócio da VTCLog. Em 2021, a CPI da Covid pediu o indiciamento dele por suspeitas de irregularidades em contratos da empresa com o Ministério da Saúde. Entre os pontos citados estavam saques de R$4,7 milhões em dinheiro vivo e o pagamento de despesas pessoais de um diretor da pasta.
Relações mencionadas nas investigações
Outra conexão envolve a Bravo Grafeno, empresa da qual Flávio é sócio. O negócio está registrado no mesmo endereço de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado nas investigações como um dos operadores do esquema. A relação foi apresentada à Procuradoria-Geral da República em uma representação que pede apuração.
Willer Tomaz também é citado por ter cedido a uma empresa sua um apartamento usado por Flávio durante a campanha eleitoral. O advogado foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto.
Mensagens com a notícia começaram a circular em grupos de WhatsApp no sábado (19), no Paraná. Elas lembravam que, em julho de 2019, o Procon-SP levou ao Ministério da Justiça reclamações sobre descontos não autorizados em benefícios de aposentados. Uma reunião sobre o assunto contou com Sergio Moro, então ministro da Justiça, o secretário Nacional do Consumidor e o presidente do INSS.
Documento do Procon registra mais de 16 mil atendimentos relacionados a descontos indevidos desde 2017. As mensagens afirmam que Moro recebeu o alerta enquanto as denúncias ganhavam força. Os descontos continuaram nos anos seguintes, até a revelação do esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas pela Operação Sem Desconto.








