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Violência política de gênero soma 177 processos no Brasil em 2026
Foto: Arte/Metrópoles
Política

Violência política de gênero soma 177 processos no Brasil em 2026

Sete candidatas levaram denúncias à Justiça Eleitoral do Distrito Federal; ataques incluem ameaças, humilhações e agressões digitais.

Sete mulheres candidatas a parlamentares levaram à Justiça Eleitoral do Distrito Federal, em 2026, relatos de assédio, ameaça e humilhação. Os ataques incluem mensagens de ódio por telefone, xingamentos nas redes sociais e agressões voltadas à aparência, ao corpo e à vida pessoal das vítimas.

No país, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra 177 processos por violência política de gênero em 2026, até setembro deste ano. O Ministério Público Federal (MPF) contabiliza 436 denúncias desde 2018, a maior parte classificada como violência moral, com xingamentos, deslegitimação e ataques à reputação.

Dificuldades para denunciar

Para Moara Silva, mestra em direito das relações sociais, os números podem não representar toda a dimensão do problema. Ela afirma que formalizar uma denúncia exige tempo, recursos e estrutura jurídica, justamente durante o período eleitoral, quando as candidatas também precisam se dedicar à campanha e às redes sociais.

Na última semana, o TSE lançou iniciativas voltadas à segurança de mulheres na política. Na terça-feira (22/9), a ação “Violência Política tem Gênero” apresentou um painel com dados de ocorrências e processos baseados em denúncias. O tribunal informou que, pela primeira vez, reuniu em uma única ferramenta informações de todas as instâncias da Justiça Eleitoral sobre o tema.

O evento contou com ministros do TSE, representantes do Ministério Público Federal e de partidos políticos. Kassio Nunes Marques, presidente do tribunal, afirmou que a violência política de gênero também atinge a democracia.

Além do painel, foram apresentadas ferramentas para proteger a imagem e a voz de mulheres contra deepfakes, técnica de inteligência artificial usada para criar ou alterar vídeos, fotos e áudios com imitação de rostos e vozes. O TSE também anunciou um Protocolo de Ação Conjunta com a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para prevenir e enfrentar esse crime.

Ataques digitais e legislação

Dados do Observatório da Violência Política e Eleitoral (OVPE), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), apontam que a violência semiótica foi a mais registrada desde janeiro de 2026 contra candidatas e parlamentares, seguida pela violência psicológica. A categoria inclui desqualificação e invisibilização.

Na prática, os ataques aparecem em comentários que questionam a competência pela aparência, memes que associam mulheres a estereótipos e ausência de cobertura equivalente à de homens. As redes sociais concentram parte relevante das agressões registradas.

A Lei nº 14.192, em vigor desde 2021, incluiu no Código Eleitoral o artigo 326-B. A norma criminaliza assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou mandatária eletiva por sua condição de mulher, cor, raça ou etnia, quando o objetivo é atrapalhar a campanha ou o exercício do mandato. A pena prevista é de um a quatro anos de reclusão, além de multa.

Renata Gil, coordenadora institucional do TSE Mulheres, afirma que o crime pode ocorrer tanto no ambiente digital quanto no físico e não depende de um efeito concreto sobre a candidatura ou o mandato.

Os dados do OVPE também mostram casos em partidos de diferentes posições ideológicas, incluindo PL, União Brasil, PSOL e PT. Para Moara Silva, mulheres de esquerda, direita e centro podem ser atingidas pela violência política de gênero.

Os sete processos abertos no Distrito Federal continuam em tramitação na Justiça Eleitoral.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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