A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) passou a exigir regras específicas para a cobertura de DIU hormonal por planos de saúde em casos de endometriose. A mudança foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira, 22, e entra em vigor a partir de 1º de outubro.
O dispositivo já fazia parte da lista de coberturas obrigatórias, mas a ausência de critérios detalhados poderia permitir questionamentos ou dificuldades no atendimento. A atualização foi feita na Diretriz de Utilização (DUT) da tecnologia.
Quando a cobertura será obrigatória
Os planos deverão cobrir o DIU/SIU hormonal em duas situações: quando houver indicação prevista na bula do medicamento, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e nos casos de pacientes com endometriose que tenham contraindicação à pílula anticoncepcional combinada ou não consigam manter o tratamento com ela.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica marcada pela presença, fora do útero, de tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o órgão internamente. Estima-se que a condição afete entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.
O DIU hormonal libera levonorgestrel dentro do útero. No tratamento da endometriose, o objetivo é controlar a dor e o sangramento, e não curar a doença. O hormônio pode reduzir a espessura do endométrio e o sangramento menstrual. Com o tempo, algumas mulheres passam a menstruar menos ou deixam de ter ciclos.
O DIU de cobre não tem a mesma finalidade e pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas em algumas mulheres.
Tratamentos disponíveis
Desde 2025, mulheres com endometriose também têm direito ao DIU de levonorgestrel pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A rede pública oferece ainda tratamentos clínicos e cirúrgicos.
Entre as opções estão a videolaparoscopia, que permite visualizar a região pélvica e remover focos da doença quando indicado; a laparotomia, cirurgia aberta usada em situações mais complexas; e a histerectomia, retirada do útero considerada apenas em casos específicos após avaliação individualizada.
A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas, da localização e da extensão da doença, do desejo de engravidar, da idade, dos efeitos colaterais dos medicamentos e dos riscos de uma eventual cirurgia. Sintomas como dor pélvica crônica, cólicas menstruais intensas e dor durante as relações sexuais podem ser tratados enquanto a investigação prossegue.








