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Livro registra comunas rurais da Califórnia diante do envelhecimento
Saúde

Livro registra comunas rurais da Califórnia diante do envelhecimento

Obra reúne mais de 40 relatos e fotografias sobre comunidades autossuficientes criadas durante o movimento de retorno à terra.

Comunidades rurais autossuficientes criadas por americanos que deixaram as grandes cidades entre as décadas de 1960 e 1970 estão desaparecendo com o envelhecimento dos moradores e o abandono das casas. As histórias remanescentes foram reunidas pelo escritor David Jacob Kramer e pelo fotógrafo Michael Schmelling no livro “Utopia Feita à Mão”.

A obra reúne mais de 40 relatos orais acompanhados de fotografias. O material registra desde a rotina de um médico que atendia apenas duas horas por semana até uma orientação detalhada para um sepultamento com chá e materiais orgânicos.

Comunidades em transformação

O Dr. Dick foi o único médico residente de sua comunidade durante quatro décadas. Seu expediente acontecia às quintas-feiras, das dez às doze horas. “Meu horário de atendimento era das dez às doze horas às quintas-feiras”, relatou.

Outro depoimento encontrado pela dupla era uma receita de enterro. A mistura previa dez libras de chá Golden Bi Luo, além de dez libras de turfa lavada, dez libras de terra preta úmida e dez libras de lentilha-d’água. Também incluía duas libras de ossos de fogueira com conchas de ostra moídas e uma libra de carvão.

Kramer e Schmelling começaram a procurar as casas ainda existentes cerca de cinco anos antes da publicação do livro. Eles encontraram construções que iam de barracões desgastados a estruturas de arquitetura vernacular recuperadas lentamente pela natureza.

Os moradores que continuaram nessas comunidades estão na faixa dos 70 e 80 anos. Ao longo do tempo, enfrentaram mudanças geracionais, conflitos governamentais e incêndios florestais. Agora, vivem em grupos menores, com casas que exigem manutenção constante.

Kramer decidiu convidar Schmelling para o projeto depois de conhecer um ex-ativista da vida no campo que lhe mostrou a residência construída por ele, então em extremo estado de deterioração. O escritor soube que o homem pensava em incendiar a casa e pediu para fotografá-la antes.

Durante a pesquisa, a dupla percebeu que as comunas desapareciam à medida que os moradores envelheciam, partiam ou faleciam. Algumas casas eram abandonadas ou demolidas, e entrevistados morreram antes da conclusão do trabalho. “Isso nos motivou a continuar, e também com um senso de urgência”, disse Kramer.

Casas, trabalho e legado

Muitas estruturas nunca tinham sido fotografadas. Algumas comunidades permaneceram porque não tinham nomes, eram de difícil acesso e passavam despercebidas. Os pesquisadores chegaram a elas por meio de relatos orais.

Diana Wiedemann entrou na comuna lésbica Trillium em 1973 e foi uma das fundadoras da Heartwood Women Construction, empresa de construção formada por mulheres. Dan Borghi contou que administrou uma serraria portátil por 30 anos, enquanto suas filhas cresciam, estudavam em uma escola de ensino médio local e depois frequentavam universidades “super caras”.

As construções incluíam casas funcionais, galpões adaptados e extensões acrescentadas a espaços existentes. Outras tinham cúpulas inspiradas em Buckminster Fuller ou linhas associadas à Art Nouveau. Bob McKee ajudou a dividir terrenos entre centenas de pessoas e a projetar residências com uma identidade visual própria.

O movimento também deixou registros de móveis, artesanatos, planejamento territorial, reciclagem e sistemas de compostagem. As comunidades foram pioneiras no uso de energia solar em casas e estufas e no cultivo de cannabis.

Para Kramer, o projeto não tinha o objetivo de decidir se o movimento foi bem-sucedido. A dupla buscou mostrar como vivem hoje as pessoas que permaneceram nessas comunidades e como enfrentam o envelhecimento em estruturas difíceis de manter.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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