A retirada caseira de joias colocadas nos dentes pode alterar a superfície do esmalte e provocar desgaste desnecessário, alerta o dentista Breno Cherfên. O profissional também recomenda cautela com a quantidade de acessórios fixados nos dentes, já que ainda há pouca literatura científica sobre o procedimento.
A tendência ganhou espaço entre influenciadores. Virginia Fonseca, por exemplo, mostrou uma aplicação em formato de “V”, relacionada à inicial de seu nome e à de Vini Jr. As chamadas tooth gems não são definitivas e podem ser instaladas com pouca intervenção, mas não estão livres de riscos.
Higiene mais difícil
De acordo com Breno, joias e sobras do material usado na fixação podem criar pontos que acumulam biofilme, formado por comunidades de microrganismos. Essas irregularidades dificultam a limpeza da superfície dos dentes e podem contribuir para a perda de minerais do esmalte, o surgimento de cáries e a inflamação da gengiva.
“A presença de joias e de eventuais excessos ou irregularidades do material resinoso pode criar áreas retentivas e dificultar a higienização da superfície dentária”, afirma o dentista.
Para preservar a estrutura dental, a instalação deve evitar perfurações e desgastes que não sejam necessários. Quando for usada técnica adesiva, Breno orienta que sejam aplicados materiais próprios para uso odontológico, com controle adequado da umidade e manipulação correta do adesivo.
Riscos na remoção
O procedimento de retirada também exige acompanhamento profissional. Segundo o especialista, depois que a joia é descolada, os resíduos do material adesivo precisam ser removidos com cuidado para reduzir a rugosidade e evitar a perda de estrutura do dente.
“Tentativas de remoção sem acompanhamento profissional podem resultar em alterações da superfície do esmalte”, diz Breno, que também é professor de odontologia da Afya.
Outro risco é o descolamento espontâneo do acessório. Se isso ocorrer, a joia pode ser engolida acidentalmente ou, potencialmente, aspirada. Breno ressalta, porém, que as evidências específicas sobre a aspiração de pequenas joias ainda são escassas e não permitem estabelecer a frequência dessa complicação.








