O Brasil tem 170.868 pacientes em diálise, segundo dados do Observatório da Diálise, da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT). O número cresce, em média, 9,2% ao ano, acima do ritmo de aumento da população.
A doença renal crônica afeta mais de 850 milhões de pessoas no mundo, cerca de 10% da população global, afirma Maria Aparecida Albuquerque Arroyo, nefrologista e vice-presidente regional da ABCDT no Mato Grosso do Sul. As projeções apontam que a condição será a quinta principal causa de morte no planeta até 2040.
A ABCDT lançou a campanha “A Vida Além da Diálise” para mostrar que o diagnóstico não define os pacientes. O presidente da entidade, Ricardo Akel, afirma que pessoas em tratamento podem trabalhar, estudar, praticar esportes, cuidar da família e realizar planos.
Rotina e atividade física
Na maioria dos casos, quem faz diálise consegue manter o trabalho, os estudos, a atividade física, a vida social e outras tarefas habituais. Para isso, são necessários ajustes conforme a condição clínica.
A Sociedade Brasileira de Nefrologia recomenda exercícios para melhorar a disposição, fortalecer os músculos, reduzir a fadiga e ajudar no controle da pressão arterial. A orientação é evitar esforço intenso e atividades de impacto no braço da fístula arteriovenosa, além de não fazer compressão excessiva na região.
As atividades devem ser programadas fora dos dias e horários das sessões. A intensidade precisa ser definida com a equipe médica, principalmente quando há anemia, doença cardiovascular associada ou fístula recente. O controle nutricional e do peso também está entre os cuidados indicados.
A flexibilidade de horários e o diálogo com empregadores e instituições de ensino podem ajudar na manutenção da autonomia. “É importante reforçar que fazer diálise não significa incapacidade”, diz Arroyo.
Modalidades e medicamentos
Entre os avanços citados pela nefrologista está a hemodiafiltração (HDF), que remove mais determinadas moléculas do que a hemodiálise convencional. A técnica pode reduzir a chamada ressaca pós-diálise, a inflamação e o risco cardiovascular.
A diálise peritoneal domiciliar permite que o próprio paciente ou um cuidador faça o tratamento em casa, reduzindo deslocamentos frequentes até clínicas. A modalidade representa 5,6% dos pacientes brasileiros. Já a hemodiálise domiciliar exige estrutura equivalente à de uma pequena unidade de diálise e telemonitoramento em tempo real, auditável pela Vigilância Sanitária.
Novas classes de nefroprotetores, como os inibidores de SGLT2 e a finerenona, retardam a progressão da doença renal, sobretudo entre pacientes diabéticos. Com isso, podem adiar ou evitar a entrada em diálise.
A especialista também destaca o acompanhamento integrado, com nefrologista, nutricionista, enfermagem, psicologia, assistência social e telemedicina. No transplante renal, programas de doação cruzada e formas mais personalizadas de imunossupressão buscam reduzir rejeições e efeitos colaterais.








