Uma análise que reuniu dados de 6 milhões de pessoas relaciona experiências adversas na infância a um risco maior de problemas de saúde e dores crônicas na vida adulta.
O trabalho examinou mais de 250 pesquisas e 36 revisões da literatura médica. Entre as situações avaliadas estão abusos, bullying, maus-tratos, negligência de cuidados, divórcio ou morte dos pais e dificuldades financeiras.
As adversidades foram associadas a condições variadas, como dor de cabeça e síndrome do intestino irritável. A análise também relaciona esses traumas a problemas potencialmente graves, entre eles diabetes e câncer.
Como o trauma afeta o organismo
Adriane da Rosa, pesquisadora do Laboratório de Psiquiatria Molecular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e uma das autoras do trabalho, afirma que os efeitos podem ocorrer por diferentes caminhos.
“Traumas podem levar não só a comportamentos prejudiciais como a desregulação do sistema de estresse do organismo”, explica Adriane. Segundo ela, essas experiências também podem provocar disfunções celulares, inflamação crônica e alterações imunológicas.
A alta tensão vivida precocemente pode desregular a produção de hormônios, manter o corpo em estado de alerta e afetar seu desenvolvimento. As experiências adversas também estão relacionadas a mudanças persistentes no sistema imune, com aumento da liberação de substâncias pró-inflamatórias.
Outro possível efeito envolve as células. O trauma pode afetar a produção de energia celular e provocar danos sistêmicos. Além disso, situações de abuso físico ou mental podem estimular comportamentos nocivos, como tabagismo e uso de drogas.
Para Adriane, esse conjunto de alterações pode favorecer o envelhecimento precoce e elevar o risco de distúrbios metabólicos e cardiovasculares.








